Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

Somos comunidade de fé, oração e caridade. Acompanhe a liturgia de cada dia, a agenda diocesana e a vida das nossas paróquias e pastorais.

Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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Dias em cinza ainda não estão no arquivo — hoje sempre funciona, e os demais dias vão ficando disponíveis conforme o tempo passa.

13/09/2026

24º Domingo do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Eclo 27,33-28,9)

Leitura do Livro do Eclesiástico.

33 O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. 28,1Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. 2 Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. 3 Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? 4 Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? 5 Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados? 6 Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; 7 pensa na destruição e na morte e persevera nos mandamentos. 8 Pensa nos mandamentos e não guardes rancor ao teu próximo. 9 Pensa na aliança do Altíssimo e não leves em conta a falta alheia!

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Salmo (Sl 102(103))

— O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.
— O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

— Pois ele te perdoa toda culpa e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.

— Não fica sempre repetindo as suas queixas nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas nem nos pune em proporção às nossas culpas.

— Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

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Segunda Leitura (Rm 14,7-9)

Leitura da carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 7 ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. 8 Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

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Evangelho (Mt 18,21-35)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, vós que criais e governais todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos a ação da vossa misericórdia, dai-nos a graça de vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Santo Alberto de Jerusalém
Santo do Dia

Santo Alberto de Jerusalém

A memória de Santo Alberto de Jerusalém é celebrada em 14 de Setembro. Sua vida foi marcada por uma dedicação profunda à fé cristã e pelo zelo pastoral que demonstrou tanto durante seu tempo como bispo de Vercelli, na Itália, quanto mais tarde como Patriarca de Jerusalém.

Origens e Chamado

Alberto nasceu em 1149 na Itália, proveniente de uma nobre família do ducado de Parma. Desde jovem, ele sentiu um chamado religioso e ingressou no convento dos Cônegos de Santo Agostinho em Mortara. Ao longo dos anos, sua devoção e compromisso levaram-no a ser eleito Superior da comunidade religiosa. Apesar de sua humildade, ele foi indicado para a posição de bispo de Bóbbio, embora inicialmente tenha relutado devido à sua modéstia.

Bispo Zeloso e Conciliador

Eventualmente, em 1184, o Papa Lúcio III nomeou Alberto como bispo de Vercelli, um cargo que ele desempenhou por vinte anos. Sua liderança foi marcada por uma abordagem rigorosa consigo mesmo e paciente com os fiéis. Ele se dedicou à penitência, oração e caridade, além de ser conhecido por sua habilidade em conciliar desentendimentos e arbitrar questões litigiosas.

Chamado à Terra Santa

A fama da santidade de Alberto se espalhou até a Terra Santa, e quando a Sé patriarcal de Jerusalém ficou vaga, o clero local o escolheu como sucessor do Patriarca falecido em 1205. O Papa Inocêncio III aprovou essa eleição, reconhecendo a necessidade de um líder forte em um período de crescente pressão maometana sobre o cristianismo na região.

Atuação em Jerusalém e Legado

No início, Alberto teve que viver em Acra devido às condições desafiadoras na Terra Santa. No entanto, ele logo se destacou por sua dedicação em fortalecer a fé cristã na região. Sua pregação e santidade pessoal influenciaram muitos a retornar à Igreja e a abandonar o pecado e o vício. Mesmo entre os muçulmanos, ele ganhou respeito e prestígio, o que ajudou a melhorar a situação da Igreja na Palestina.

Legado Carmelita

Além de suas responsabilidades pastorais, Alberto também desempenhou um papel importante na Ordem do Carmo. Ele redigiu uma regra para os Carmelitas, eremitas que habitavam o Monte Carmelo na Terra Santa. Essa regra ajudou a ordem a crescer consideravelmente desde então.

Conflito e Martírio

Apesar de sua popularidade, Alberto encontrou inimizade. Um homem criminoso, ao qual ele tentou persuadir a abandonar o crime, se tornou um adversário. Depois de ameaçá-lo com excomunhão, o criminoso apunhalou Alberto durante uma celebração litúrgica em 1214. O patriarca faleceu instantaneamente, sendo lamentado pelos fiéis que o viam como um santo.

Ensinamentos e Inspiração

O exemplo de Santo Alberto ressalta a importância da busca pela santidade, especialmente em posições de liderança e responsabilidade. Sua vida nos lembra da necessidade da graça divina e da bênção de Deus em todas as nossas empreitadas. Seu legado é um testemunho da eficácia da devoção, da oração e da busca constante da orientação divina em todas as situações.

A vida de Santo Alberto de Jerusalém, sua dedicação à fé e sua coragem em face da adversidade continuam a inspirar os fiéis, lembrando-nos da importância de uma fé sólida e de um compromisso inabalável com os ensinamentos de Cristo.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

23º Domingo Tempo Comum (Mt 18,15-20) – O perdão edifica a comunidade

Mateus organiza seu evangelho em cinco grandes discursos. O capítulo 18 é o quarto, dedicado à vida interna da comunidade. Ele trata de relações fraternas, cuidado dos pequenos, correção fraterna, perdão, autoridade comunitária, ou seja, o modo de viver como Igreja. Mateus apresenta a Igreja como comunidade de salvação, segundo a sua natureza sacramental: salva pela comunhão, cura pela correção, restaura pelo perdão e, com autoridade, faz discernimento em vista da sua edificação e missão.

Depois da profissão de fé de Pedro (21º Domingo), pedra fundamental sobre a qual Jesus edifica a sua Igreja, mas também de sua incompreensão em relação à missão do Messias que se realizará através da cruz (22º Domingo), hoje o evangelho apresenta um processo gradual de reconciliação dentro da comunidade cristã, fundamentado na responsabilidade mútua, na busca da conversão do irmão e na autoridade conferida por Cristo à Igreja.

A promessa final: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles” não é genérica, mas contextualizada: Cristo está presente especialmente quando a comunidade se reúne para discernir, reconciliar e exercer autoridade espiritual.

“Se teu irmão pecar…” indica uma condição eventual; portanto, pode ser evitada. Por outro lado, fala-se de irmão, de um membro da comunidade, pois a relação fraterna é o fundamento da correção: “Vai corrigi-lo”.  Aqui o verbo grego (elénkson) tem sentido de mostrar a culpa, mas com intuito pedagógico, não punitivo, até porque o primeiro passo é em segrego: “em particular”, a fim de preservar a dignidade do irmão. Se o resultado for positivo: “Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão”, a reconciliação é sempre ganho, ninguém sai derrotado.

Porém, há a possibilidade de não ser ouvido, o que não significa desistir do processo de reconciliação. Mesmo assim se persistir no seu fechamento à reconciliação, deve-se tentar mais uma instância, a comunidade que, por sua vez, não age arbitrariamente: “Se nem mesmo à Igreja ele der ouvido, seja tratado como pagão ou pecador público”. Levando em consideração o modus operandi de Jesus em relação a essas pessoas, não se pode pensar numa expulsão definitiva, haja vista que no Evangelho, Jesus acolhe pagãos e publicano; na verdade, esse procedimento pedagógico indica ruptura relacional, mas não abandono da misericórdia.

A palavra-chave nessas situações é discernimento a partir da autoridade que a Igreja recebeu de ligar e desligar. O discernimento eclesial tem valor diante de Deus, e a oração deve alimentar a perseverança no processo de edificação da comunidade, sobretudo no compromisso de reconciliação. Por outro lado, a oração eficaz nasce da comunhão: “Se dois de vós estiverem de acordo na terra…”; não é promessa mágica, mas está ligada ao contexto da reconciliação.

Todo o processo de reconciliação em vista da edificação da comunidade só tem eficácia se Cristo estiver presente: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Trata-se não apenas de invocar, pedir, mas de agir segundo a identidade de Jesus. Portanto, é presença real, e não simplesmente simbólica. Cristo está no centro da comunidade que busca reconciliação e discernimento.

Em síntese, o ensinamento de Jesus reitera que a comunidade é espaço de reconciliação, que se alcança à medida que se pratica a correção fraterna como ato de amor, e não de controle. A autoridade da Igreja, participação na autoridade de Cristo (“Ligar e desligar”), significa discernir, orientar, decidir. Mais do que procedimentos estratégicos ou meramente fruto de esforços humanos, a reconciliação é um dom de Deus pedido na oração comunitária, cuja eficácia depende da harmonia entre os irmãos.

Como nos ensina o Mestre, a correção fraterna é indispensável para que a comunidade viva na comunhão e realize sua missão testemunhando a verdade da fraternidade cristã.  Contudo, deve ser gradual, discreta e orientada à conversão. A comunidade jamais deve ser um tribunal para condenar, mas um espaço para motivar a conversão. A autoridade eclesial deve ser exercida com misericórdia e verdade. Só a autêntica vida de oração pessoal e comunitária faz brotar a fraternidade real, garantindo a presença de Cristo que nos ensina a viver o Evangelho da reconciliação.

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Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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