Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe
Palavra do Bispo Diocesano

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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10/03/2024

4º Domingo da Quaresma

Quaresma Rosa

Primeira Leitura (2Cr 36, 14-16. 19-23)

Leitura do Segundo Livro das Crônicas.

Naqueles dias, 14 todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém. 15 Ora, o Senhor Deus de seus pais dirigia-lhes frequentemente a palavra por meio de seus mensageiros, admoestando-os com solicitude todos os dias, porque tinha compaixão do seu povo e da sua própria casa. 16 Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não houve mais remédio.19Os inimigos incendiaram a casa de Deus e deitaram abaixo os muros de Jerusalém, atearam fogo a todas as construções fortificadas e destruíram tudo o que havia de precioso. 20 Nabucodonosor levou cativos, para a Babilônia, todos os que escaparam à espada, e eles tornaram-se escravos do rei e de seus filhos, até que o império passou para o rei dos persas. 21 Assim se cumpriu a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias: “Até que a terra tenha desfrutado de seus sábados, ela repousará durante todos os dias da desolação, até que se completem setenta anos”. 22 No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação:,23“Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem dentre vós todos pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho”.

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Salmo (Sl 136)

— Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!
— Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!

— Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas.

— Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: “Cantai hoje para nós algum canto de Sião!”

— Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão!

— Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!

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Segunda Leitura (Ef 2, 4-10)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos: 4 Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, 5 quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos!,6Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. 7 Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza da sua graça. 8 Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! 9 Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. 10 Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão, para que nós as praticássemos.

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Evangelho (Jo 3, 14-21)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16 Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas, tenha a vida eterna.
17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19 Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21 Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, que por vossa Palavra realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Vilibrordo
Santo do Dia

São Vilibrordo

São Vilibrordo, nascido em 658, na região de Nortúmbria, Alemanha, foi uma figura importante no processo de evangelização da Holanda na Idade Média. Integrante de uma família cristã, ele foi enviado pelo pai como oblato, aos cinco anos de idade, para o mosteiro de York, na Inglaterra. Crescido, Vilibrordo decidiu dedicar-se ao estado monástico e partiu para a Irlanda, onde aprimorou sua formação teológica com o abade Egberto, durante nove anos de estudos. Após concluir sua formação, ele foi ordenado sacerdote.

Missão na Holanda

No ano de 690, São Vilibrordo foi enviado como missionário para a Frísia, acompanhado por onze companheiros. A missão tinha como objetivo evangelizar os bárbaros que viviam na Holanda. Ele foi escolhido pelo rei Franco Pepino e recebeu a região ao leste como campo de apostolado. Nessa região, viviam povos hostis ao Evangelho e constantemente se envolviam em revoltas.

Nomeação como Bispo

Após sua experiência missionária, Vilibrordo decidiu viajar para Roma a fim de buscar o apoio do Papa Sérgio I. O Papa o recebeu calorosamente, encorajando-o em sua missão e presenteando-o com as relíquias de santos mártires para serem colocadas nas futuras igrejas. Alguns anos depois, Vilibrordo retornou a Roma para relatar ao Papa seus sucessos, suas dificuldades e seus planos. Satisfeito com seu empenho, o Papa decidiu nomeá-lo bispo, acrescentando ao seu nome o título latino Clemente.

Fundação de Sedes Episcopais e Mosteiros

Em seu árduo apostolado, São Vilibrordo fundou sua primeira sede episcopal em Utrecht, onde conquistou a catedral e a dedicou ao Santíssimo Redentor. Ele também fez progressos na conversão da Frísia, da Dinamarca e da região da Turíngia. No entanto, com a morte do rei Pepino, seu protetor, o duque Ratbodo reconquistou parte do território perdido na Frísia, forçando Vilibrordo a se afastar da região. Retirado perto de Treves, onde havia fundado um mosteiro, Vilibrordo esperou o momento certo para retornar.

Após a morte de Ratbodo, São Vilibrordo retornou à Frísia e auxiliou São Bonifácio no apostolado da Alemanha. Sua presença foi essencial para consolidar a evangelização entre os povos do norte da Europa. Vilibrordo era conhecido não apenas por sua pequena estatura, mas também por suas ações grandiosas. Era um homem organizado e tinha um destacado senso de comando, o que lhe possibilitou formar muitos bispos durante sua vida.

Legado de São Vilibrordo

Cansado pelas fadigas apostólicas e debilitado pela idade, São Vilibrordo afastou-se para o mosteiro de Echternach, onde faleceu em 7 de novembro de 739. Seu legado como missionário e fundador de sedes episcopais e mosteiros é lembrado até hoje. Vilibrordo foi uma figura fundamental na evangelização da Holanda e seu trabalho contribuiu para a propagação do Cristianismo no norte da Europa. Sua dedicação e sua coragem continuam a inspirar aqueles que se empenham em levar a mensagem do Evangelho aos povos em diferentes partes do mundo.

Fonte: catolicoapp.com

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