Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

Somos comunidade de fé, oração e caridade. Acompanhe a liturgia de cada dia, a agenda diocesana e a vida das nossas paróquias e pastorais.

Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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23/11/2024

Sábado da 33ª Semana do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Ap 11, 4-12)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

Disseram a mim, João: 4“Essas duas testemunhas são as duas oliveiras e os dois candelabros, que estão diante do Senhor da terra. 5 Se alguém quiser fazer-lhes mal, um fogo sairá da boca delas e devorará seus inimigos. Sim, se alguém quiser fazer-lhes mal, é assim que vai morrer. 6 Elas têm o poder de fechar o céu, de modo que não caia chuva alguma enquanto durar a sua missão profética. Elas têm também o poder de transformar as águas em sangue. E quantas vezes elas quiserem, podem ferir a terra com todo tipo de praga. 7 Quando elas terminarem o seu testemunho, a besta que sobe do Abismo vai combater contra elas, vai vencê-las e matá-las. 8 E os cadáveres das duas testemunhas vão ficar expostos na praça da grande cidade, que se chama, simbolicamente, Sodoma e Egito, e na qual foi crucificado também o Senhor delas. 9 Gente de todos os povos, raças, línguas e nações, verão seus cadáveres durante três dias e meio, e não deixarão que os corpos sejam sepultados. 10 Os habitantes da terra farão festa pela morte das testemunhas; felicitar-se-ão e trocarão presentes, pois estes dois profetas estavam incomodando os habitantes da terra”. 11 Depois dos três dias e meio, um sopro de vida veio de Deus, penetrou nos dois profetas e eles ficaram de pé. Todos aqueles que os contemplavam, ficaram com muito medo. 12 Ouvi então uma voz forte vinda do céu e chamando os dois: “Subi para aqui!” Eles subiram ao céu, na nuvem, enquanto os inimigos ficaram olhando.

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Salmo (Sl 143)

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

— Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; é meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

— Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi

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Evangelho (Lc 20, 27-40)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas.

Naquele tempo, 27 aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28 e lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ʽse alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmãoʼ. 29 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. 30 Também o segundo 31 e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32 Por fim, morreu também a mulher. 33 Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela”.34Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, 35 mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36 e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram.37Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. 38 Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele”. 39 Alguns doutores da Lei disseram a Jesus: “Mestre, tu falaste muito bem”. 40 E ninguém mais tinha coragem de perguntar coisa alguma a Jesus.

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Oração do dia (Coleta)

Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de sempre nos alegrar em vosso serviço, porque só alcançaremos duradoura e plena felicidade sendo fiéis a vós, criador de todos os bens. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Todos os Santos
Santo do Dia

Todos os Santos

A Solenidade de Todos os Santos de Deus, também conhecida como “Páscoa de outono”, é um importante evento celebrado pela Igreja. Nessa ocasião, a comunidade cristã não se concentra apenas em si mesma, mas volta seu olhar para o céu e se inspira nos Santos que já alcançaram a plenitude da vida cristã.

A santidade é um caminho para o qual todos são chamados, e os Santos são apresentados como modelos a serem seguidos, pois eles aceitaram ser encontrados por Jesus e percorreram esse caminho com confiança, apesar de suas fraquezas e sofrimentos.

A origem da celebração

A celebração de Todos os Santos tem raízes antigas. No século IV, começou a ser celebrada a memória dos mártires em diferentes Igrejas. Os primeiros indícios dessa festa foram encontrados em Antioquia, onde São João Crisóstomo já a mencionava como o domingo seguinte ao Pentecostes. A partir dos séculos VIII e IX, a celebração se espalhou pela Europa e, em Roma, ela se tornou particularmente importante no século IX.

O Papa Gregório III (731-741) determinou que a festa fosse comemorada em 1º de novembro, data que coincidia com a consagração de uma Capela na Basílica de São Pedro, onde repousavam as relíquias dos Santos Apóstolos, mártires, confessores e todos aqueles que alcançaram a perfeição e descansam em paz. Ao longo do tempo, essa festa se consolidou como uma oportunidade para a Igreja, que sofre e peregrina na Terra, olhar para o céu e contemplar seus irmãos mais gloriosos.

A festa de Todos os Santos é um convite a contemplar os heróis da fé, esperança e caridade. Em um mundo marcado pelo pecado e pela escuridão, eles brilham no céu com a luz do triunfo e da esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, formando uma grande multidão de pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. Os Santos são os filhos de Deus que alcançaram a meta da salvação e vivem na eternidade a bem-aventurança proclamada por Jesus no Sermão da Montanha. Eles também são modelos de imitação de Cristo, que nos conduzem a sermos pedras angulares na construção do Reino de Deus.

A Igreja nos convida a venerar os Santos como protetores e a imitar sua santidade. Embora eles não necessitem de nossas homenagens, a veneração que lhes prestamos é de grande interesse para nós. Ao olharmos para suas vidas, vemos que eles também enfrentaram adversidades e dificuldades. Foram pessoas comuns, como adolescentes, jovens, pais de família, trabalhadores, religiosos, que passaram por fome, perseguições, alegrias, pecados, arrependimentos, doenças e sofrimentos diversos. Eles conheceram as dificuldades da vida, mas mantiveram seu entusiasmo pela Pátria definitiva, pois sabiam que não eram mais estrangeiros, mas membros da família de Deus.

A festa de Todos os Santos nos lembra que a santidade é um chamado para todos os cristãos, independentemente de sua posição social ou estado de vida. A perfeição cristã não tem limites e todos estamos convidados a percorrê-la. Os Santos são exemplos concretos de como o Espírito Santo age na vida daqueles que decidem viver o Evangelho e atuar na Igreja e na sociedade. Eles são testemunhas da transformação que a graça de Deus pode realizar em cada ser humano.

A celebração de Todos os Santos nos lembra que a Vida Eterna e a contemplação de Deus são o objetivo final de nossa existência. A Comunhão dos Santos, na qual acreditamos como professores de nossa fé, é uma realidade que ultrapassa fronteiras terrenas e nos permite participar das coisas sagradas e dos dons divinos. Através da Eucaristia, temos um vislumbre antecipado da liturgia celeste, onde todos os Santos se encontram com o Senhor em perfeita união.

Portanto, a festa de Todos os Santos é uma oportunidade para celebrarmos a santidade e nos inspirarmos nos exemplos dos Santos. Eles são nossos modelos e intercessores, que nos auxiliam em nosso caminho de imitação de Cristo. Que possamos olhar para o Céu e contemplar a multidão de Santos, que nos guiam e nos encorajam a perseguir a santidade em nossa própria vida. Que possamos, como eles, ser sinal do Espírito Santo no mundo, transmitindo a luz e a esperança que só Deus pode nos dar.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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