Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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11/04/2025

6ª feira da 5ª Semana da Quaresma

Quaresma Roxo

Primeira Leitura (Jr 20,10-13)

Leitura do Livro do profeta Jeremias.

10 Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: “Denunciai-o, denunciemo-lo”. Todos os amigos observavam minhas falhas: “Talvez ele cometa um engano, e nós poderemos apanhá-lo e desforrar-nos dele”. 11 Mas o Senhor está ao meu lado como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! 12 Ó Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração, rogo-te me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha causa. 13 Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus.

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Salmo (Sl 17(18))

— Ao Senhor eu invoquei na minha angústia, e ele escutou a minha voz.
— Ao Senhor eu invoquei na minha angústia, e ele escutou a minha voz.

— Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e salvador!

— Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, † minha força e poderosa salvação, sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! E dos meus perseguidores serei salvo!

— Ondas da morte me envolveram totalmente, e as torrentes da maldade me aterraram; os laços do abismo me amarraram, e a própria morte me prendeu em suas redes.

— Ao Senhor eu invoquei na minha angústia e elevei o meu clamor para o meu Deus; de seu templo ele escutou a minha voz, e chegou a seus ouvidos o meu grito.

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Evangelho (Jo 10,31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

Naquele tempo, 31 os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32 E ele lhes disse: “Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?” 33 Os judeus responderam: “Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque, sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!” 34 Jesus disse: “Acaso não está escrito na vossa lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35 Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36 por que então me acusais de blasfêmia quando eu digo que sou Filho de Deus, eu, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37 Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38 Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. 39 Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40 Jesus passou para o outro lado do Jordão e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41 Muitos foram ter com ele e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem é verdade”. 42 E muitos, ali, acreditaram nele.

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Oração do dia (Coleta)

Perdoai, Senhor, as faltas do vosso povo e, na vossa bondade, desfazei os laços dos pecados que em nossa fraqueza cometemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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São Simão
Santo do Dia

São Simão

O nome Simão tem significado hebraico e representa “zeloso”. Além disso, ele era conhecido como Cananeu, uma referência à aldeia de Caná, localizada na Galileia. Simão era um homem de grande zelo pela fé, cumprindo os preceitos religiosos e demonstrando compaixão pelos aflitos e necessitados. Sendo assim, ele trabalhava incansavelmente para salvar as almas.

De acordo com Nicéforo Calisto, Simão pregou em regiões como a África e a Grã-Bretanha. Essa dedicação missionária evidencia sua vontade de levar a mensagem de Jesus Cristo para além das fronteiras conhecidas.

Um fato interessante é que Simão e Judas Tadeu eram irmãos de Tiago, o Menor, e filhos de Maria de Cléofas, que havia sido casada com Alfeu. Logo após a ascensão de Jesus, Judas foi enviado por Tomé para levar uma mensagem ao rei de Edessa, chamado Abgar.

Segundo o Evangelho, Simão é mencionado como o décimo Apóstolo, antes de Judas Tadeu. Essa informação histórica é verídica e dá uma noção cronológica da posição de Simão entre os discípulos de Jesus. No entanto, a partir desse ponto, as coisas se tornam mais confusas e contraditórias em relação à identidade de Simão.

Muitas teorias e identificações são atribuídas a Simão. Alguns acreditam que ele seja o primo de Jesus com o mesmo nome, que também era irmão de Tiago o Menor. Os bizantinos, por sua vez, o associam a Natanael de Caná e ao organizador do banquete das Bodas de Caná. É interessante notar que diferentes tradições têm suas próprias interpretações sobre a pessoa de Simão.

No entanto, uma tradição conhecida sustenta que Simão e Judas Tadeu foram martirizados e enterrados em Suanir, na Pérsia. Foi nesse local que eles receberam a palma do martírio. É importante ressaltar que essa informação é baseada na tradição e não existe uma confirmação histórica precisa.

De acordo com essa tradição, é provável que Simão tenha encontrado Judas Tadeu na região da Pérsia, onde eles teriam compartilhado sua missão e destino juntos. Essa união reforça a importância de uma parceria forte e leal na difusão da palavra de Deus.

Em suma, São Simão, também conhecido como o Apóstolo Zelote ou Cananeu, é uma figura importante no cristianismo. Sua devoção à fé, preocupação com os aflitos e trabalho incansável para salvar as almas são exemplos a serem seguidos. Embora existam diferentes interpretações sobre sua identidade específica, o legado de Simão permanece como um testemunho de fidelidade e serviço a Deus. Que a vida e o martírio de São Simão possam continuar inspirando os fiéis ao longo dos séculos.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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