Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

Somos comunidade de fé, oração e caridade. Acompanhe a liturgia de cada dia, a agenda diocesana e a vida das nossas paróquias e pastorais.

Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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Dias em cinza ainda não estão no arquivo — hoje sempre funciona, e os demais dias vão ficando disponíveis conforme o tempo passa.

21/03/2027

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Quaresma Vermelho

Primeira Leitura (Is 50, 4-7)

Leitura do Livro do profeta Isaías.

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5 O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6 Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7 Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

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Salmo (Sl 21)

— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: “Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”

— Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos.

— Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o, toda a raça de Israel!

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Segunda Leitura (Fl 2, 6-11)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10 Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11 e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

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Evangelho (Mc 11,1-10 (Entrada em Jerusalém))

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos.

1 Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo: “Ide até o povoado que está em frente e, logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! 3 Se alguém disser: ‘Por que fazeis isso?’, dizei: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta'”. 4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. 5 Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando esse jumentinho?” 6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. 7 Levaram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. 8 Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos. 9 Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 10 Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”

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Evangelho (Mc 14,1-15,47 (Paixão do Senhor))

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos.

Faltavam dois dias para a Páscoa e para a festa dos ázimos. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei procuravam um meio de prender Jesus à traição, para mata-lo. Eles diziam:
Leitor: “Não durante a festa, para que não haja tumulto no meio do povo”.
Narrador: Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Quando estava à mesa, chegou uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume de nardo puro, muito caro. Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus. Alguns que estavam ali ficaram indignados e comentavam:
Leitor: “Por que esse desperdício de perfume? Ele poderia ser vendido por mais de trezentas moedas de prata, que seriam dadas aos pobres”.
Narrador: E criticavam fortemente a mulher. Mas Jesus lhes disse:
Celebrante: “Deixai-a em paz! Por que aborrecê-la? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pobres sempre tereis convosco, e quando quiserdes podeis fazer-lhes o bem. Quanto a mim, não me tereis para sempre. Ela fez o que podia: derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura. Em verdade vos digo: em qualquer parte que o Evangelho for pregado, em todo o mundo, será contado o que ela fez, como lembrança do seu gesto”.
Narrador: Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os sumos sacerdotes para entregar-lhes Jesus. Eles ficaram muito contentes quando ouviram isso, e prometeram dar-lhe dinheiro. Então, Juda scomeçou a procurar uma boa oportunidade para entregar Jesus. No primeiro dia dos ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus:
Leitor: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?”
Narrador: Jesus enviou então dois dos seus discípulos e lhes disse:
Celebrante: “Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro. Segui-o e dizei ao dono da casa em que ele entrar: ‘O Mestre manda dizer: onde está a salaem que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Então ele vos mostrará, no andar decima, uma grande sala, arrumada com almofadas. Ali fareis os preparativos para nós!”
Narrador: Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito, e preparam a Páscoa. Ao cair da tarde, Jesus foi comos doze. Enquanto estavam à mesa comendo, Jesus disse:
Celebrante: “Em verdade vos digo: um de vós, quecome comigo, vai me trair”.
Narrador: Os discípulos começaram a ficar tristese perguntaram a Jesus, um após o outro:Leitor: “Acaso serei eu?”
Narrador: Jesus lhes disse:
Celebrante: “É um dos doze, que se serve comigo do mesmo prato. O Filho do Homem segue seu caminho, conforme está escrito sobre ele. Ai, porém, daquele que trair o Filho do Homem! Melhor seria que nunca tivesse nascido!
”Narrador: Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo:
Celebrante: “Tomai, isto é o meu corpo”.
Narrador: Em seguida, tomou o cálice, deu graças, entregou-lhes e todos beberam dele. Jesus lhes disse:
Celebrante: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos. Em verdade vos digo: não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus”.
Narrador: Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos:
Celebrante: “Todos vós ficareis desorientados, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão’. Mas, depois de ressuscitar, eu vos precederei na Galileia”.
Narrador: Pedro, porém, lhe disse:Leitor: “Mesmo que todos fiquem desorientados, eu não ficarei”.
Narrador: Respondeu-lhe Jesus:
Celebrante: “Em verdade te digo: ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás”.
Narrador: Mas Pedro repetiu com veemência:
Leitor: “Ainda que tenha de morrer contigo, eun ão te negarei”.
Narrador: E todos diziam o mesmo. Chegados a um lugar chamado Getsêmani, disse Jesus aos discípulos:
Celebrante: “Sentai-vos aqui, enquanto eu vou rezar!”
Narrador: Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir pavor e angústia. Então Jesus lhes disse:
Celebrante: “Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai”.
Narrador: Jesus foi um pouco mais adiante e, prostrando-se por terra, rezava que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele. Dizia:
Celebrante: “Abá! Pai! Tudo te é possível: Afasta de mim este cálice! Contudo, não seja feito o que eu quero, mas sim o que tu queres!”
Narrador: Voltando, encontrou os discípulos dormindo. Então disse a Pedro:
Celebrante: “Simão, tu estás dormindo? Não pudeste vigiar nem mesmo uma hora? Vigiai eorai, para não cairdes em tentação! Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
Narrador: Jesus afastou-se de novo e rezou, repetindo as mesmas palavras. Voltou outra vez eos encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono e eles não sabiam o que responder. Ao voltar pela terceira vez, Jesus lhes disse:
Celebrante: “Agora podeis dormir e descansar. Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Aquele que vai me trair já está chegando”.
Narrador: E logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos doze, com uma multidão armada de espadas e paus. Vinham da parte dos sumos sacerdotes, dos mestres da Lei e dos anciãos do povo. O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo:
Leitor: “É aquele a quem eu beijar. Prendei-o e levai-o com segurança!”
Narrador: Judas logo se aproximou de Jesus dizendo:
Leitor: “Mestre!”
Narrador: E o beijou. Então lançaram as mãos sobre ele e o prenderam. Mas um dos presentes puxou a espada e feriu o empregado do sumo sacerdote, contando-lhe a orelha. Jesus tomou a palavra e disse:
Celebrante: “Vós saístes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias eu estava convosco, no Templo, ensinando, e não me prendestes. Mas, isso acontece para que se cumpram as Escrituras”.
Narrador: Então todos o abandonaram e fugiram. Um jovem, vestido apenas com um lençol, estava seguindo a Jesus, e eles o prenderam. Mas o jovem largou o lençol e fugiu nu. Então levaram Jesus ao Sumo Sacerdote, e todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os mestres da Lei se reuniram. Pedro seguiu Jesus de longe, até o interior do pátio do Sumo Sacerdote. Sentado com os guardas, aquecia-se junto ao fogo. Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para condená-lo à morte, mas não encontravam. Muitos testemunhavam falsamente contra ele, mas seus testemunhos não concordavam. Alguns se levantaram e testemunhara falsamente contra ele, dizendo:
Leitor: “Nós o ouvimos dizer: ‘Vou destruir este templo feito pelas mãos dos homens, e em três dias construirei um outro, que não será feito por mãos humanas!’”
Narrador: Mas nem assim o testemunho deles concordava. Então, o Sumo Sacerdote levantou-se no meio deles e interrogou Jesus:
Leitor: “Nada tens a responder ao que estes testemunharam contra ti¹”
Narrador: Jesus continuou calado, e nada respondeu. O Sumo Sacerdote interrogou-o de novo:
Leitor: “Tu és o Messias, o Filho de Deus Bendito?”
Narrador: Jesus respondeu:
Celebrante: “Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo com as nuvens do céu”.
Narrador: O Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse:
Leitor: “Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia! O que vos parece?”
Narrador: Então todos o julgaram réu de morte. Alguns começaram a cuspir em Jesus. Cobrindo-lhe o rosto, o esbofeteavam e diziam:
Leitor: “Profetiza!”
Narrador: Os guardas também davam-lhe bofetadas. Pedro estava em baixo, no pátio. Chegou uma criada do Sumo Sacerdote, e, quando viu Pedro que se aquecia, olhou bem para ele e disse:
Leitor: “Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!”
Narrador: Mas Pedro negou, dizendo:
Leitor: “Não sei e nem compreendo o que estás dizendo!”
Narrador: E foi para fora, para a entrada do pátio. E o galo cantou. A criada viu Pedro, e de novo começou a dizer aos que estavam perto:
Leitor: “Este é um deles”.
Narrador: Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que estavam junto diziam novamente a Pedro:
Leitor: “É claro que tu és um deles, pois és da Galileia”.
Narrador: Aí Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo:
Leitor: “Nem conheço esse homem de quem estais falando”.
Narrador: E nesse instante um galo cantou pela segunda vez. Lembrou-se Pedro da palavra que Jesus lhe havia dito:
Celebrante: “Antes que um galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás”.
Narrador: Caindo em si, ele começou a chorar. Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. E Pilatos o interrogou:
Leitor: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador: Jesus respondeu:
Celebrante: “Tu o dizes”.
Narrador: E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. Pilatos o interrogou novamente:
Leitor: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!”
Narrador: Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. Pilatos perguntou:
Leitor: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?”
Narrador: Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. Porém, os sumos sacerdotes instigavam a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. Pilatos perguntou de novo:
Leitor: “Que quereis então que eu faça com o rei dos Judeus?”
Narrador: Mas eles tornaram a gritar:
Todos: Crucifica-o!
Narrador: Pilatos perguntou:
Leitor: “Mas, que mal que ele fez?”
Narrador: Eles, porém, gritaram com mais força:
Todos: Crucifica-o!
Narrador: Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. E começaram a saudá-lo dizendo:
Todos: Salve, rei dos judeus!”
Narrador: Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o mando vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucifica-lo. Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. Eram nove horas de manhã quando o crucificaram. E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
Leitor: “Ah! Tu que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”
Narrador: Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre dizendo:
Leitor: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! O messias, o rei de Israel... que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!”
Narrador: Os que foram crucificados com eletambém o insultavam. Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até às três horas da tarde. Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:
Celebrante: “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”
Narrador: Que quer dizer:
Celebrante: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”
Narrador: Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram:
Leitor: “Vejam, ele está chamando Elias!”
Narrador: Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo:
Leitor: “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”.
Narrador: Então Jesus deu um forte grito e expirou.

Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa silenciosa e orante.

Narrador: Nesse momento a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse:
Leitor: “Na verdade, este homem era Filho de Deus!”
Narrador: Estavam ali também algumas mulheres, que olhavam de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de Joset, e Salomé. Elas haviam acompanhado e servido a Jesus quando ele estava na Galileia. Também muitas outras que tinham ido com Jesus a Jerusalém, estavam ali. Era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, e já caíra a tarde. Então, José de Arimateia, membro respeitável do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, cheio de coragem, foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos ficou admirado, quando soube que Jesus estava morto. Chamou o oficial do exército e perguntou se Jesus tinha morrido havia muito tempo. Informado pelo oficial, Pilatos entregou o corpo a José. José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e o envolveu no lençol. Depois colocou-o num túmulo escavado na rocha, e rolou uma pedra à entrada do sepulcro. Maria Madalena e Maria, mãe de Joset, observavam onde Jesus foi colocado.

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Evangelho (Mc 15, 1-39 (Paixão do Senhor - Mais breve))

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo ✠ segundo Marcos.

Narrador 1:
Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram
Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2 E Pilatos o interrogou:
Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador 1: Jesus respondeu:
† — “Tu o dizes”.
Narrador 1: 3 E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4 Pilatos o interrogou novamente:
Leitor 1: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!”
Narrador 1: 5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6 Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro
que eles pedissem. 7 Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8 A
multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9 Pilatos perguntou:
Leitor 1: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?”
Narrador 2: 10 Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11 Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão
para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12 Pilatos perguntou de novo:
Leitor 1: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?”
Narrador 2: 13 Mas eles tornaram a gritar:
Todos: — “Crucifica-o!”
Narrador 2: 14 Pilatos perguntou:
Leitor 1: “Mas, que mal ele fez?”
Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força:
Todos: — “Crucifica-o!”
Narrador 2: 15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. 16 Então
os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17 Vestiram Jesus com um manto vermelho,
teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18 E começaram a saudá-lo:
Todos: — “Salve, rei dos judeus!”
Narrador 1: 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20 Depois de zombarem de
Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo.
Narrador 2: 21 Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz.
22 Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. 23 Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou.
24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um.
Narrador 1: 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos
Judeus”. 27 Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.(28) 29 Os que por ali passavam o insultavam,
balançando a cabeça e dizendo:
Todos: — “Ah! Tu que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”
Narrador 1: 31 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo:
Todos: — “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar!” 32 O Messias, o rei de Israel... que desça agora da cruz, para que vejamos e
acreditemos!”
Narrador 2: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. 33 Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as
três horas da tarde. 34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:
† — “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”
Narrador 2: Que quer dizer:
† — “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Narrador 2: 35 Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram:
Todos: — “Vejam, ele está chamando Elias!”
Narrador 2: 36 Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo:
Todos: — “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”.
Narrador 1: 37 Então Jesus deu um forte grito e expirou. (Todos se ajoelham um instante) 38 Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se
de alto a baixo, em duas partes. 39 Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse:
Todos: — “Na verdade, este homem era Filho de Deus!”

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Oração do dia (Coleta)

Deus eterno e todo-poderoso, para dar ao gênero humano um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador assumisse a condição humana e morresse na cruz. Concedei-nos aprender os ensinamentos de sua paixão e participar de sua ressurreição. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Santo Antônio de SantAnna Galvão (Frei Galvão)
Santo do Dia

Santo Antônio de SantAnna Galvão (Frei Galvão)

Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, conhecido como Frei Galvão, nasceu no dia 10 de maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. Ele nasceu em uma família muito religiosa, rica e nobre, sendo o quarto de dez filhos. Seu pai, Antônio Galvão de França, era comerciante e pertencia à Ordem Terceira Franciscana. Sua mãe se chamava Isabel Leite de Barros.

A Adolescência e a Devoção a Sant’Ana

Aos 13 anos de idade, Frei Galvão foi enviado pelos pais para estudar ciências humanas no seminário jesuíta Colégio de Belém, em Cachoeira, na Bahia. Durante seus quatro anos de estudos lá, ele se destacou nas áreas de construção civil e prática cristã. Foi nessa época que recebeu a triste notícia da morte prematura de sua mãe, o que o levou a adotar Sant’Ana como sua mãe espiritual, passando a se chamar “Frei Antônio de Sant’Anna Galvão”.

A Vida Franciscana

Após concluir seus estudos, Frei Galvão ingressou na Ordem Franciscana, no convento de Macacu, em Itaboraí, Rio de Janeiro. Em 11 de julho de 1762, foi ordenado sacerdote e transferido para o Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo, onde deu continuidade aos estudos de filosofia e teologia.

O “Novo Esplendor do Convento”

Em 1768, Frei Galvão foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento, sendo reconhecido por sua dedicação e talento nesses cargos. Tamanho era o seu destaque que a Câmara Municipal de São Paulo lhe conferiu o título de o “novo esplendor do Convento”. Em 1770, ele foi convidado a fazer parte da Academia Paulistana de Letras devido às suas habilidades poéticas em latim.

A Fundação do Recolhimento Nossa Senhora da Luz

Em 1769, Frei Galvão foi designado para ser confessor no Recolhimento de Santa Teresa, em São Paulo, onde conheceu a Irmã Helena Maria do Espírito Santo. Ela dizia receber um pedido de Jesus: a fundação de um novo Recolhimento. Mesmo em uma época em que a construção de conventos e igrejas estava proibida, Frei Galvão decidiu assumir a fundação do Recolhimento Nossa Senhora da Luz. A construção levou 28 anos para ser concluída e deu origem ao Bairro da Luz em São Paulo.

O Mestre dos Noviços e as Pílulas Milagrosas

Frei Galvão foi preso injustamente ao defender um homem, mas o povo e o Bispo de São Paulo intercederam por sua liberdade. Em 1781, ele foi nomeado mestre de noviços em Macacu e, em 1798, assumiu o cargo de guardião do Convento de São Francisco. Em 1811, fundou o Convento de Santa Clara em Sorocaba.

Além de suas atividades religiosas, Frei Galvão se destacou por sua vida de oração e pelos fenômenos místicos que testemunharam. Ele possuía habilidades como o dom da cura, dom de ciência, bilocação e levitação, sempre utilizando esses dons para ajudar os doentes e necessitados.

As Pílulas de Frei Galvão

Frei Galvão ficou conhecido pelas famosas pílulas milagrosas que ele distribuía. Em uma ocasião, diante da impossibilidade de ir rezar por um doente, ele escreveu uma frase do ofício de Nossa Senhora em um pedacinho de papel e o transformou em uma pílula. Ao ser tomada em oração, a pílula resultou na cura do doente. A fama das pílulas se espalhou rapidamente, e Frei Galvão passou a abençoar e distribuir essas pílulas para o povo, sendo relatados inúmeros testemunhos de graças alcançadas através delas.

A Canonização e o Legado

Frei Galvão faleceu no Mosteiro da Luz em 23 de dezembro de 1822, poucos meses após a independência do Brasil. Sua fama de santidade era tanta que uma multidão se reuniu para se despedir do santo. Em 1998, ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II e, em 2007, foi canonizado por Bento XVI, tornando-se o primeiro santo brasileiro. Sua vida de dedicação à fé, às obras de caridade e seu legado de milagres e graças alcançadas tornam Frei Galvão um exemplo de santidade e de devoção no Brasil.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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