Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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02/06/2027

4ª feira da 9ª Semana do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Tb 3,1-11a.16-17a)

Leitura do Livro de Tobias.

Naqueles dias, 1 tomado de grande tristeza, pus-me a suspirar e a chorar. E, depois, comecei a rezar, entre gemidos: 2“Senhor, tu és justo, e justas são todas as tuas obras. Todos os teus caminhos são misericórdia e verdade e és tu quem julga o mundo. 3 Agora, Senhor, lembra-te de mim, olha para mim e não me castigues por causa de meus pecados, de minhas transgressões ou de meus pais, que pecaram diante de ti. 4 Porque não obedecemos aos teus preceitos, entregaste-nos à pilhagem, ao cativeiro e à morte, e fizeste de nós assunto de provérbios, alvo de zombaria e de injúria em todas as nações entre as quais nos dispersaste. 5 Agora, porém, vejo que são verdadeiros os teus numerosos julgamentos, quando me tratas segundo os meus pecados e os pecados de meus pais, pois não cumprimos teus mandamentos nem caminhamos na verdade diante de ti. 6 Trata-me, pois, como te aprouver. Ordena que seja retomado de mim o meu espírito, para que eu desapareça da face da terra e me transforme em terra. Para mim é melhor morrer do que viver, pois tenho ouvido injúrias caluniosas e sinto em mim profunda tristeza. Senhor, ordena que eu seja libertado desta angústia. Deixa-me ir para a morada eterna e não afastes, Senhor, de mim a tua face. Para mim é preferível morrer a ver tão grande angústia em minha vida, ouvindo ainda tais injúrias”. 7 Naquele mesmo dia, Sara, filha de Raguel, que morava em Ecbátana, na Média, teve também que ouvir injúrias de uma das escravas de seu pai. 8 Ela fora dada em casamento a sete homens, mas o perverso demônio Asmodeu havia-os matado antes de estarem com ela como esposa. A escrava disse-lhe: “És tu que sufocas teus maridos! Já foste dada a sete homens e de nenhum até agora tiveste proveito. 9 Por que nos espancas por terem morrido os teus maridos? Vai-te embora com eles e jamais vejamos filho ou filha nascidos de ti!” 10 Naquele dia, Sara ficou com a alma cheia de tristeza e pôs-se a chorar. E subiu ao aposento de seu pai, no andar superior, com a intenção de se enforcar. Mas, pensando melhor, disse consigo mesma: “Não quero que venham injuriar a meu pai e dizer-lhe: ‘Tinhas uma filha muito querida e ela enforcou-se por causa de suas desgraças’. Assim, eu faria baixar à sepultura a velhice amargurada de meu pai. É melhor para mim, em vez de me enforcar, pedir ao Senhor que me faça morrer, para não mais ouvir injúrias em minha vida”. 11 No mesmo instante, estendendo as mãos em direção à janela, fez esta oração: “Tu és bendito, Deus de misericórdia, e é bendito eternamente o teu nome!” 16 Na mesma hora, a prece dos dois foi ouvida perante a glória de Deus. 17 E Rafael foi enviado para curar a ambos.

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Salmo (Sl 24(25),1-3.4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. 1b))

— A vós, Senhor, eu elevo a minha alma.
— A vós, Senhor, eu elevo a minha alma.

— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma, em vós confio: que eu não seja envergonhado nem triunfem sobre mim os inimigos! Não se envergonha quem em vós põe a esperança, mas, sim, quem nega por um nada a sua fé.

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias!

— Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão, que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!

— O Senhor é piedade e retidão e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça e aos pobres ele ensina o seu caminho.

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Evangelho (Mc 12,18-27)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

Naquele tempo, 18 vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição, e lhe propuseram este caso: 19“Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: se morrer o irmão de alguém e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão. 20 Ora, havia sete irmãos; o mais velho casou-se e morreu sem deixar descendência. 21 O segundo casou-se com a viúva e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22 E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Por que os sete se casaram com ela!” 24 Jesus respondeu: “Acaso vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25 Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26 Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’? 27 Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados”.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos pedimos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Santo Evaristo
Santo do Dia

Santo Evaristo

Santo Evaristo, sucessor de São Clemente, de acordo com Santo Ireneu e Eusébio, foi bispo de Roma por volta do ano 100. Na época, o termo Papa era aplicado a qualquer prelado, e foi somente no século VI que o título de Papa começou a ser reservado exclusivamente ao Pontífice Romano.

Santo Evaristo era grego de Antioquia, assim como seu pai judeu, chamado Judas, nascido em Belém. De acordo com o Liber Pontificalis, Evaristo foi considerado mártir, assim como outros sete ou nove pontífices, embora não se saiba a razão específica para isso.

Durante o exercício de seu pontificado, duas lendárias disposições foram atribuídas a Santo Evaristo. A primeira foi a distribuição dos sacerdotes de Roma nas vinte e cinco títulos ou igrejas paroquiais da cidade, que teriam sido instituídas por São Cleto. Essa organização proporcionou uma estrutura mais adequada para a administração da Igreja na época.

A segunda disposição foi a decisão de que os diáconos estivessem ao lado do bispo durante a pregação e a proclamação do prefácio da Missa, com o objetivo de testemunhar a ortodoxia e conferir maior solenidade à celebração. Essa medida reforçou a importância dos diáconos no contexto litúrgico da Igreja e estabeleceu um papel mais ativo para eles durante as celebrações.

A Morte e as Relíquias de Santo Evaristo

Santo Evaristo faleceu em 105, durante a perseguição imposta pelo imperador Trajano. Embora a fonte não seja precisa, sua morte foi oficialmente registrada no Livro dos Papas, em Roma. Segundo uma tradição antiga, ele teria se tornado mártir da fé e seu corpo teria sido abandonado perto do túmulo do apóstolo Pedro.

Após sua morte, Santo Evaristo foi enterrado perto do corpo de São Pedro, no Vaticano, no dia 27 de outubro. O martirológio, no entanto, registra sua memória no dia 26 de outubro. O nome “Evaristo” deriva do grego “euarestos”, que significa engraçado ou agradável.

O Legado de Santo Evaristo

Santo Evaristo deixou um legado importante como pontífice da Igreja. Sua organização da distribuição dos sacerdotes nas igrejas paroquiais de Roma estabeleceu um modelo administrativo que perdurou por muitos séculos. Além disso, sua decisão de colocar os diáconos ao lado do bispo durante a celebração da Missa ressaltou a importância desse ministério e conferiu maior solenidade às liturgias.

Como sucessor de São Pedro, Santo Evaristo desempenhou um papel fundamental na estruturação da Igreja, fortalecendo sua organização e promovendo a união entre os fiéis. Sua dedicação e martírio são exemplos de fé e coragem, e sua memória continua a ser celebrada e honrada pela Igreja Católica.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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