Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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Dias em cinza ainda não estão no arquivo — hoje sempre funciona, e os demais dias vão ficando disponíveis conforme o tempo passa.

01/08/2027

18º Domingo do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Ex 16, 2-4. 12-15)

Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias, 2 a comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?”,4O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia, a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12 Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13 Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14 Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15 Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”.

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Salmo (Sl 77)

— O Senhor deu a comer o pão do céu.
— O Senhor deu a comer o pão do céu.

— Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder.

— Ordenou, então, às nuvens lá dos céus, e as comportas das alturas fez abrir; fez chover-lhes o maná e alimentou-os, e lhes deu para comer o pão do céu.

— O homem se nutriu do pão dos anjos, e mandou-lhes alimento em abundância; conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou

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Segunda Leitura (Ef 4, 17. 20-24)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos: 17 Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20 Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21 se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22 Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23 e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24 Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.

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Evangelho (Jo 6, 24-35)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.

Naquele tempo, 24 quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25 Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27 Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28 Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”.30Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”.32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35 Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

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Oração do dia (Coleta)

Assisti, Senhor, os vossos fiéis e cumulai com vossa inesgotável bondade, aqueles que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Santo Evaristo
Santo do Dia

Santo Evaristo

Santo Evaristo, sucessor de São Clemente, de acordo com Santo Ireneu e Eusébio, foi bispo de Roma por volta do ano 100. Na época, o termo Papa era aplicado a qualquer prelado, e foi somente no século VI que o título de Papa começou a ser reservado exclusivamente ao Pontífice Romano.

Santo Evaristo era grego de Antioquia, assim como seu pai judeu, chamado Judas, nascido em Belém. De acordo com o Liber Pontificalis, Evaristo foi considerado mártir, assim como outros sete ou nove pontífices, embora não se saiba a razão específica para isso.

Durante o exercício de seu pontificado, duas lendárias disposições foram atribuídas a Santo Evaristo. A primeira foi a distribuição dos sacerdotes de Roma nas vinte e cinco títulos ou igrejas paroquiais da cidade, que teriam sido instituídas por São Cleto. Essa organização proporcionou uma estrutura mais adequada para a administração da Igreja na época.

A segunda disposição foi a decisão de que os diáconos estivessem ao lado do bispo durante a pregação e a proclamação do prefácio da Missa, com o objetivo de testemunhar a ortodoxia e conferir maior solenidade à celebração. Essa medida reforçou a importância dos diáconos no contexto litúrgico da Igreja e estabeleceu um papel mais ativo para eles durante as celebrações.

A Morte e as Relíquias de Santo Evaristo

Santo Evaristo faleceu em 105, durante a perseguição imposta pelo imperador Trajano. Embora a fonte não seja precisa, sua morte foi oficialmente registrada no Livro dos Papas, em Roma. Segundo uma tradição antiga, ele teria se tornado mártir da fé e seu corpo teria sido abandonado perto do túmulo do apóstolo Pedro.

Após sua morte, Santo Evaristo foi enterrado perto do corpo de São Pedro, no Vaticano, no dia 27 de outubro. O martirológio, no entanto, registra sua memória no dia 26 de outubro. O nome “Evaristo” deriva do grego “euarestos”, que significa engraçado ou agradável.

O Legado de Santo Evaristo

Santo Evaristo deixou um legado importante como pontífice da Igreja. Sua organização da distribuição dos sacerdotes nas igrejas paroquiais de Roma estabeleceu um modelo administrativo que perdurou por muitos séculos. Além disso, sua decisão de colocar os diáconos ao lado do bispo durante a celebração da Missa ressaltou a importância desse ministério e conferiu maior solenidade às liturgias.

Como sucessor de São Pedro, Santo Evaristo desempenhou um papel fundamental na estruturação da Igreja, fortalecendo sua organização e promovendo a união entre os fiéis. Sua dedicação e martírio são exemplos de fé e coragem, e sua memória continua a ser celebrada e honrada pela Igreja Católica.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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