Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe
Palavra do Bispo Diocesano

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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16/01/2024

3ª feira da 2ª Semana do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (1Sm 16, 1-13)

Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

Naqueles dias, 1 o Senhor disse a Samuel: “Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 2 Samuel ponderou: “Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar”. O Senhor respondeu: “Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: ‘Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor’. 3 Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar”. 4 Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: “É de paz a tua vinda?” 5“Sim, é de paz”, respondeu Samuel. Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima”. Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício. 6 Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7 Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 8 Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: “Também não é este que o Senhor escolheu”. 9 Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: “A este tampouco o Senhor escolheu”. 10 Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11 E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar”. 12 Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13 Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá.

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Salmo (Sl 88)

— Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.
— Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

— Outrora vós falastes em visões a vossos santos: “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu Eleito.

— Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele a minha mão onipotente e meu braço poderoso há de ser a sua força.

— Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!’ E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o Rei altíssimo”

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Evangelho (Mc 2, 23-28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos.

23 Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24 Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26 Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. 27 E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28 Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

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Oração do dia (Coleta)

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai clemente as súplicas do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Deodato I, papa
Santo do Dia

São Deodato I, papa

São Deodato I foi um dos Papas mais amados e respeitados em Roma. Seu nome, que significa “dado por Deus”, reflete sua dedicação e serviço à Igreja e ao povo romano. Antes de assumir o pontificado, Deodato serviu como padre em Roma por quarenta anos, ganhando a confiança e admiração da comunidade.

O Papa e a Proteção de Roma

Em Roma, o Papa exercia uma influência não apenas espiritual, mas também civil. Ele era responsável por guiar a cidade, atuando como juiz, magistrado supremo e garantia da ordem. Após a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam desprotegidos, enfrentando ameaças de invasões bárbaras ou reivindicações do império do Oriente. A teoria da governança conjunta entre o Papa e o imperador não era bem aceita em Constantinopla.

O Diálogo com o Imperador

Apesar das dificuldades, São Deodato I buscou estabelecer um diálogo com o imperador, buscando proteção e apoio para seu povo. Mesmo enfrentando resistência, o imperador enviou o exarco Eleutério para acabar com as revoltas em Ravena e Nápoles. Foi nesse momento que o Papa Deodato teve a oportunidade de se encontrar com o imperador. Durante esse período, as disputas doutrinárias entre Oriente e Ocidente eram intensas e causavam controvérsias.

Martirológio Romano

Um fato que reforça a santidade de São Deodato I é o episódio registrado no Martirológio Romano. Durante uma de suas visitas aos doentes, especialmente os afetados pela lepra, o Papa teria curado um desses pacientes após abraçá-lo e beijá-lo com ternura. Esse milagre destacou sua empatia e compaixão pelos mais necessitados.

Cuidado pelos Mais Necessitados

Durante seu pontificado, São Deodato I enfrentou grandes desafios, incluindo terremotos e epidemias devastadoras em Roma. Ele dedicou-se incansavelmente ao cuidado do povo durante essas calamidades, ajudando e consolando os necessitados. Mesmo com os edifícios de mármore dos Foros já destruídos por invasões bárbaras, o Papa permaneceu firme e corajoso em seu serviço ao povo romano.

Legado de São Deodato I

São Deodato I faleceu em novembro de 618, deixando um legado de amor, compaixão e dedicação à Igreja e ao povo. Sua atuação como padre por quarenta anos antes de se tornar Papa demonstra seu compromisso com a fé e com a comunidade. Seu exemplo de cuidado pelos mais necessitados e sua busca pelo diálogo em tempos difíceis continuam a inspirar até os dias de hoje.

Conclusão

São Deodato I, um Papa venerado e respeitado em Roma, dedicou-se ao serviço da Igreja e do povo romano. Conhecido por cuidar dos mais necessitados e buscar o diálogo em tempos conturbados, ele deixou um legado de amor e compaixão. Que a história de São Deodato I nos inspire a seguir seu exemplo de serviço e dedicação aos outros, lembrando-nos de que o amor e a caridade são os verdadeiros sinais da presença de Deus em nossas vidas.

Fonte: catolicoapp.com

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