Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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17/01/2024

Santo Antão, Abade, Memória

Tempo Comum Branco

Primeira Leitura (1Sm 17, 32-33. 37. 40-51)

Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

Naqueles dias, 32 Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33 Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37 Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40 Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41 Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42 quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43 E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44 E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45 Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor Todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46 Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47 E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48 Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49 Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50 E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51 E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

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Salmo (Sl 143)

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

— Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; é meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

— Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi

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Evangelho (Mc 3, 1-6)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos.

Naquele tempo, 1 Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2 Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4 E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5 Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6 Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, chamastes o abade Santo Antão a vos servir no deserto numa vida heroica, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de renunciar a nós mesmos e de amar-vos acima de tudo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Deodato I, papa
Santo do Dia

São Deodato I, papa

São Deodato I foi um dos Papas mais amados e respeitados em Roma. Seu nome, que significa “dado por Deus”, reflete sua dedicação e serviço à Igreja e ao povo romano. Antes de assumir o pontificado, Deodato serviu como padre em Roma por quarenta anos, ganhando a confiança e admiração da comunidade.

O Papa e a Proteção de Roma

Em Roma, o Papa exercia uma influência não apenas espiritual, mas também civil. Ele era responsável por guiar a cidade, atuando como juiz, magistrado supremo e garantia da ordem. Após a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam desprotegidos, enfrentando ameaças de invasões bárbaras ou reivindicações do império do Oriente. A teoria da governança conjunta entre o Papa e o imperador não era bem aceita em Constantinopla.

O Diálogo com o Imperador

Apesar das dificuldades, São Deodato I buscou estabelecer um diálogo com o imperador, buscando proteção e apoio para seu povo. Mesmo enfrentando resistência, o imperador enviou o exarco Eleutério para acabar com as revoltas em Ravena e Nápoles. Foi nesse momento que o Papa Deodato teve a oportunidade de se encontrar com o imperador. Durante esse período, as disputas doutrinárias entre Oriente e Ocidente eram intensas e causavam controvérsias.

Martirológio Romano

Um fato que reforça a santidade de São Deodato I é o episódio registrado no Martirológio Romano. Durante uma de suas visitas aos doentes, especialmente os afetados pela lepra, o Papa teria curado um desses pacientes após abraçá-lo e beijá-lo com ternura. Esse milagre destacou sua empatia e compaixão pelos mais necessitados.

Cuidado pelos Mais Necessitados

Durante seu pontificado, São Deodato I enfrentou grandes desafios, incluindo terremotos e epidemias devastadoras em Roma. Ele dedicou-se incansavelmente ao cuidado do povo durante essas calamidades, ajudando e consolando os necessitados. Mesmo com os edifícios de mármore dos Foros já destruídos por invasões bárbaras, o Papa permaneceu firme e corajoso em seu serviço ao povo romano.

Legado de São Deodato I

São Deodato I faleceu em novembro de 618, deixando um legado de amor, compaixão e dedicação à Igreja e ao povo. Sua atuação como padre por quarenta anos antes de se tornar Papa demonstra seu compromisso com a fé e com a comunidade. Seu exemplo de cuidado pelos mais necessitados e sua busca pelo diálogo em tempos difíceis continuam a inspirar até os dias de hoje.

Conclusão

São Deodato I, um Papa venerado e respeitado em Roma, dedicou-se ao serviço da Igreja e do povo romano. Conhecido por cuidar dos mais necessitados e buscar o diálogo em tempos conturbados, ele deixou um legado de amor e compaixão. Que a história de São Deodato I nos inspire a seguir seu exemplo de serviço e dedicação aos outros, lembrando-nos de que o amor e a caridade são os verdadeiros sinais da presença de Deus em nossas vidas.

Fonte: catolicoapp.com

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