Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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20/04/2024

Sábado da 3ª Semana da Páscoa

Tempo Pascal Branco

Primeira Leitura (At 9, 31-42)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 31 a Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. 32 Pedro percorria todos os lugares; e visitou também os fiéis que moravam em Lida. 33 Encontrou aí um homem chamado Enéias, que estava paralítico e, há oito anos, jazia numa cama. 34 Pedro disse-lhe: “Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma a tua cama!” Imediatamente Enéias se levantou. 35 Todos os habitantes de Lida e da região do Saron viram isso e se converteram ao Senhor. 36 Em Jope, havia uma discípula chamada Tabita, nome que quer dizer Gazela. Eram muitas as boas obras que fazia e as esmolas que dava. 37 Naqueles dias ela ficou doente e morreu. Então lavaram seu corpo e o colocaram no andar superior da casa. 38 Como Lida ficava perto de Jope, e ouvindo dizer que Pedro estava lá, os discípulos mandaram dois homens com um recado: “Vem depressa até nós!”,39Pedro partiu imediatamente com eles. Assim que chegou, levaram-no ao andar superior, onde todas as viúvas foram ao seu encontro. Chorando, elas mostravam a Pedro as túnicas e mantos que Tabita havia feito, quando vivia com elas. 40 Pedro mandou que todos saíssem. Em seguida, pôs-se de joelhos e rezou. Depois, voltou-se para o corpo e disse: “Tabita, levanta-te!” Ela então abriu os olhos, viu Pedro e sentou-se. 41 Pedro deu-lhe a mão e ajudou-a a levantar-se. Depois chamou os fiéis e as viúvas e apresentou-lhes Tabita viva. 42 O fato ficou conhecido em toda a cidade de Jope e muitos acreditaram no Senhor.

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Salmo (Sl 115)

— Que poderei retribuir ao Senhor Deus, por tudo aquilo que ele fez em meu favor?
— Que poderei retribuir ao Senhor Deus, por tudo aquilo que ele fez em meu favor?

— Que poderei retribuir ao Senhor Deus, por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

— Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos.

— Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor.

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Evangelho (Jo 6, 60-69)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.

Naquele tempo, 60 muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61 Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62 E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63 O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64 Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo.
65 E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66 A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67 Então, Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir embora?” 68 Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, que renovastes na fonte do Batismo os que creem em vós, protegei os que renasceram em Cristo para que, vencidos os ataques do erro, permaneçam fiéis à graça da vossa bênção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Nuno de Santa Maria
Santo do Dia

São Nuno de Santa Maria

São Nuno de Santa Maria, também conhecido como Nuno Álvares Pereira, nasceu em Portugal em 24 de junho de 1360. Filho do cavaleiro dos hospitalários, Álvaro Gonçalves Pereira, recebeu uma educação cavalheiresca, que era típica dos filhos das famílias nobres da época.

Juventude e Casamento de São Nuno de Santa Maria

Aos treze anos, Nuno tornou-se pajem da rainha D. Leonor e, pouco depois, foi cavaleiro, sendo bem recebido na Corte. Em 1376, aos 16 anos, casou-se com D. Leonor de Alvim, uma jovem rica e viúva, por vontade de seu pai. Dessa união nasceram três filhos, sendo que dois morreram jovens e a terceira, Beatriz, casou-se com o filho do rei D. João I, se tornando a primeira duquesa de Bragança.

O Condestável por D. João I e suas Vitórias

Em 1383, após a morte do rei D. Fernando, a coroa lusitana estava sendo disputada pelo rei de Castela, que havia se casado com a filha do falecido rei. Dessa forma, seu irmão D. João, Mestre de Avis, entrou na luta pela coroa e Nuno tomou o partido dele, tornando-se o Condestável, o comandante supremo do exército. Sob a liderança de Nuno, o exército português obteve diversas vitórias, sendo a mais marcante a batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, que encerrou o conflito.

Espiritualidade e Dotes Militares de São Nuno de Santa Maria

Apesar de ser reconhecido por suas habilidades militares, São Nuno também possuía uma profunda espiritualidade. Sua vida era marcada pelo amor à Eucaristia e à Virgem Maria, que eram a base de sua vida interior. O estandarte que ele escolheu trazia as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros de São Tiago e São Jorge. Além disso, ele construiu igrejas e mosteiros, como o Carmo de Lisboa e a Igreja de Santa Maria da Vitória.

A Vida Religiosa de São Nuno de Santa Maria

Após a morte de sua esposa em 1387, Nuno recusou casar novamente e tornou-se um exemplo de pureza de vida. Ele distribuiu a maior parte de seus bens entre seus antigos companheiros de batalha e, em 1423, decidiu entrar no convento carmelita que fundou, adotando o nome de frei Nuno de Santa Maria.

O Abandono das Armas e dos Privilégios

Impelido por seu amor a Deus, São Nuno abandonou as armas e o poder para se dedicar inteiramente à vida religiosa, conforme a Regra do Carmo. Ele abriu mão de todos os privilégios que tinha como Condestável de Portugal para assumir a humilde condição de frade dedicado ao serviço do Senhor, de Maria e dos pobres, a quem enxergava como o próprio Jesus.

Sua Morte e Canonização

São Nuno de Santa Maria morreu aos 71 anos de idade, no domingo de Páscoa, em 1 de abril de 1431. Logo após sua morte, o povo começou a chamá-lo de “Santo Condestável” e ele foi aclamado como santo. Foi beatificado em 23 de janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV e canonizado em 26 de abril de 2009 pelo Papa Bento XVI.

São Nuno de Santa Maria, com seus dotes militares e profunda espiritualidade, demonstrou o equilíbrio entre a vida militar e a vida religiosa. Ele é um exemplo de santidade para os cristãos e uma figura importante na história de Portugal. Sua devoção à Eucaristia e à Virgem Maria, assim como seu serviço humilde aos mais necessitados, continuam a inspirar muitas pessoas ao redor do mundo.

Fonte: catolicoapp.com

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