Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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30/04/2024

3ª feira da 5ª Semana da Páscoa

Tempo Pascal Branco

Primeira Leitura (At 14, 19-28)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 19 de Antioquia e Icônio chegaram judeus que convenceram as multidões. Então apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que ele estivesse morto. 20 Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé. 21 Depois de terem pregado o Evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia. 22 Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. 23 Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado. 24 Em seguida, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília. 25 Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26 Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado. 27 Chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos. 28 E passaram então algum tempo com os discípulos.

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Salmo (Sl 144)

— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso.
— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso.

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

— Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

— Que a minha boca cante a glória do Senhor e que bendiga todo ser seu nome santo desde agora, para sempre e pelos séculos.

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Evangelho (Jo 14, 27-31a)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28 Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29 Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.
30 Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31 amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus, na ressurreição de Cristo vós nos renovais para a vida eterna; dai ao vosso povo constância na fé e na esperança, para que jamais duvide do cumprimento das promessas que fizestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Nuno de Santa Maria
Santo do Dia

São Nuno de Santa Maria

São Nuno de Santa Maria, também conhecido como Nuno Álvares Pereira, nasceu em Portugal em 24 de junho de 1360. Filho do cavaleiro dos hospitalários, Álvaro Gonçalves Pereira, recebeu uma educação cavalheiresca, que era típica dos filhos das famílias nobres da época.

Juventude e Casamento de São Nuno de Santa Maria

Aos treze anos, Nuno tornou-se pajem da rainha D. Leonor e, pouco depois, foi cavaleiro, sendo bem recebido na Corte. Em 1376, aos 16 anos, casou-se com D. Leonor de Alvim, uma jovem rica e viúva, por vontade de seu pai. Dessa união nasceram três filhos, sendo que dois morreram jovens e a terceira, Beatriz, casou-se com o filho do rei D. João I, se tornando a primeira duquesa de Bragança.

O Condestável por D. João I e suas Vitórias

Em 1383, após a morte do rei D. Fernando, a coroa lusitana estava sendo disputada pelo rei de Castela, que havia se casado com a filha do falecido rei. Dessa forma, seu irmão D. João, Mestre de Avis, entrou na luta pela coroa e Nuno tomou o partido dele, tornando-se o Condestável, o comandante supremo do exército. Sob a liderança de Nuno, o exército português obteve diversas vitórias, sendo a mais marcante a batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, que encerrou o conflito.

Espiritualidade e Dotes Militares de São Nuno de Santa Maria

Apesar de ser reconhecido por suas habilidades militares, São Nuno também possuía uma profunda espiritualidade. Sua vida era marcada pelo amor à Eucaristia e à Virgem Maria, que eram a base de sua vida interior. O estandarte que ele escolheu trazia as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros de São Tiago e São Jorge. Além disso, ele construiu igrejas e mosteiros, como o Carmo de Lisboa e a Igreja de Santa Maria da Vitória.

A Vida Religiosa de São Nuno de Santa Maria

Após a morte de sua esposa em 1387, Nuno recusou casar novamente e tornou-se um exemplo de pureza de vida. Ele distribuiu a maior parte de seus bens entre seus antigos companheiros de batalha e, em 1423, decidiu entrar no convento carmelita que fundou, adotando o nome de frei Nuno de Santa Maria.

O Abandono das Armas e dos Privilégios

Impelido por seu amor a Deus, São Nuno abandonou as armas e o poder para se dedicar inteiramente à vida religiosa, conforme a Regra do Carmo. Ele abriu mão de todos os privilégios que tinha como Condestável de Portugal para assumir a humilde condição de frade dedicado ao serviço do Senhor, de Maria e dos pobres, a quem enxergava como o próprio Jesus.

Sua Morte e Canonização

São Nuno de Santa Maria morreu aos 71 anos de idade, no domingo de Páscoa, em 1 de abril de 1431. Logo após sua morte, o povo começou a chamá-lo de “Santo Condestável” e ele foi aclamado como santo. Foi beatificado em 23 de janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV e canonizado em 26 de abril de 2009 pelo Papa Bento XVI.

São Nuno de Santa Maria, com seus dotes militares e profunda espiritualidade, demonstrou o equilíbrio entre a vida militar e a vida religiosa. Ele é um exemplo de santidade para os cristãos e uma figura importante na história de Portugal. Sua devoção à Eucaristia e à Virgem Maria, assim como seu serviço humilde aos mais necessitados, continuam a inspirar muitas pessoas ao redor do mundo.

Fonte: catolicoapp.com

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