Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

Somos comunidade de fé, oração e caridade. Acompanhe a liturgia de cada dia, a agenda diocesana e a vida das nossas paróquias e pastorais.

Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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18/11/2024

2ª feira da 33ª Semana do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Ap 1, 1-4; 2, 1-5a)

Início do Livro do Apocalipse de São João.

1 1 Revelação que Deus confiou a Jesus Cristo, para que mostre aos seus servos as coisas que devem acontecer em breve. Jesus as deu a conhecer, através do seu anjo, ao seu servo João. 2 Este dá testemunho de que tudo quanto viu é palavra de Deus e testemunho de Jesus Cristo. 3 Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia e também praticam o que nela está escrito. Pois o momento está chegando. 4 João às sete Igrejas que estão na região da Ásia: A vós, graça e paz, da parte daquele que é, que era e que vem; da parte dos sete espíritos que estão diante do trono de Deus. 2, 1 Ouvi o Senhor que me dizia: Escreve ao anjo da Igreja que está em Éfeso: Assim fala aquele que tem na mão direita as sete estrelas, aquele que está andando no meio dos sete candelabros de ouro: 2 Conheço a tua conduta, o teu esforço e a tua perseverança. Sei que não suportas os maus. Colocaste à prova alguns que se diziam apóstolos e descobriste que não eram apóstolos, mas mentirosos. 3 És perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste. 4 Todavia, há uma coisa que eu reprovo: abandonaste o teu primeiro amor. 5 aLembra-te de onde caíste! Converte-te e volta à tua prática inicial. Se, pelo contrário, não te converteres, virei depressa e arrancarei o teu candelabro do seu lugar.

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Salmo (Sl 1)

— Ao vencedor concederei comer da Árvore da Vida.
— Ao vencedor concederei comer da Árvore da Vida.

— Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

— Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

— Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte

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Evangelho (Lc 18, 35-43)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas.

35 Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36 Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. 37 Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. 38 Então o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 39 As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 40 Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: 41“Que queres que eu faça por ti?” O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. 42 Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. 43 No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu louvores a Deus.

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Oração do dia (Coleta)

Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de sempre nos alegrar em vosso serviço, porque só alcançaremos duradoura e plena felicidade sendo fiéis a vós, criador de todos os bens. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Comemoração dos Fiéis Defuntos
Santo do Dia

Comemoração dos Fiéis Defuntos

A comemoração dos fiéis defuntos é uma solenidade de profundo significado teológico para a Igreja. Nesse dia, somos convidados a recordar e orar pelas almas dos fiéis que já faleceram. Essa comemoração foi instituída pelos monges beneditinos por volta do ano 1000, com a iniciativa do abade São Odilo, superior do mosteiro de Cluny, na França. Desde então, o dia 2 de novembro tornou-se universalmente dedicado à memória dos irmãos falecidos.

A exortação do apóstolo Paulo em sua carta aos tessalonicenses também nos orienta sobre a importância de não ignorarmos o que se refere aos mortos. Devemos viver com esperança, acreditando na ressurreição e na promessa de Deus de levar consigo aqueles que morreram em Cristo.

Nesse dia, a Igreja nos convida a refletir sobre a vida eterna, sobre a existência humana desde suas origens até o seu fim e além. A morte não é vista como um fim triste e sem esperança, mas como uma passagem para a vida eterna. É a partir dessa perspectiva que celebramos os fiéis defuntos.

A fé nos ensina que, após a morte, as almas passam por um lugar de purificação chamado purgatório. Mesmo aqueles que morreram reconciliados com Deus carregam faltas e dívidas espirituais por pecados cometidos. O purgatório é um lugar de purificação dessas faltas, para que as almas possam entrar no Reino de Deus, onde reina a santidade perfeita.

Pela solidariedade espiritual que existe entre os batizados, podemos oferecer preces e sacrifícios em sufrágio das almas do purgatório. A tradição da Igreja nos mostra que essa prática é antiga, sendo praticada desde os primeiros séculos. Orações de sufrágio pelas almas dos mortos são realizadas nas igrejas e até mesmo nas catacumbas romanas, onde se sepultavam os cristãos.

A doutrina dos fiéis defuntos nos leva a refletir sobre a importância da oração e da solidariedade espiritual com aqueles que já partiram. Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer, pediu aos filhos que se lembrassem dela no altar de Deus, onde quer que estivessem. As almas dos falecidos parecem clamar por compaixão e orações, assim como o patriarca Jó em suas aflições.

No dia de Finados, temos a oportunidade de obter indulgências para as almas dos defuntos. A indulgência plenária é concedida aos que visitam o cemitério e rezam, mesmo que apenas mentalmente, pelos fiéis defuntos. Além disso, durante o período de 1º a 8 de novembro, podemos obter indulgência parcial ao cumprir as condições habituais, como confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice.

A celebração dos fiéis defuntos nos lembra que a morte é apenas uma porta para a vida eterna. Graças à vitória de Cristo sobre a morte, podemos viver sem medo e com esperança na ressurreição. A morte não é o fim, mas um momento de transformação para a vida eterna.

Ao recordarmos e orarmos pelos fiéis defuntos, reconhecemos a importância da vida eterna e da solidariedade espiritual entre os cristãos. Que nesse dia possamos oferecer nossas preces e sacrifícios em sufrágio das almas do purgatório, confiantes na misericórdia e justiça de Deus.

Que a comemoração dos fiéis defuntos seja um dia para recordação, não tristeza, e que nossa fé nos garanta que nosso relacionamento com as almas dos falecidos não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração de sufrágio.

Fonte: catolicoapp.com

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Homilia de Dom André Vital, SCJ

30º Domingo Tempo Comum (Mt 22,34-40) – O amor é sempre o maior e o primeiro

O evangelho desse domingo faz parte da última fase do ministério público de Jesus, quando os conflitos com as lideranças religiosas de Jerusalém se intensificam. Depois dos embates com os discípulos dos fariseus e partidários de Herodes (29º Domingo), mais uma vez os opositores voltam a interpelá-lo. Mateus afirma que um deles faz uma pergunta “para experimentá-lo” (peirazō), verbo que possui um sentido mais profundo do que uma simples indagação intelectual; aparece frequentemente em contextos de oposição a Jesus, inclusive no momento das tentações do deserto (Mt 4,1-3). Deste modo, evidencia-se a relação semântico-teológica entre a ação do diabo e a atitude dos adversários de Jesus que não perguntam para aprender, mas para verificar se Ele cairá em erro doutrinal ou ensina contra a tradição rabínica, que identificava 613 mandamentos.

Embora todos os mandamentos fossem considerados provenientes de Deus, os rabinos discutiam frequentemente quais eram os mais importantes e quais os secundários. Essa preocupação aparece também no judaísmo do Segundo Templo. Havia mandamentos considerados “graves” (hamurot) e outros “leves” (qalot). Por isso, a pergunta do doutor da Lei era relevante, já que um verdadeiro mestre deveria ser capaz de indicar o princípio que unificava toda a Lei. Quando Jesus fala dos “menores mandamentos” em Mateus 5,19, Ele demonstra conhecer esse debate e participar dele.

Jesus responde unindo dois textos do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor teu Deus…” (Dt 6,5), e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). A novidade não está em citar esses textos, pois ambos já eram conhecidos, mas em uni-los de maneira inseparável. Enquanto alguns rabinos procuravam resumir a Lei em um único princípio, Jesus apresenta uma síntese dupla: o amor a Deus e o amor ao próximo são distintos, mas inseparáveis. O segundo mandamento não é um acréscimo opcional. Ele nasce do primeiro e o manifesta concretamente.  Há vários verbos gregos para amor: (philéo=afeição; eráo= amor apaixonado; storgéo= amor familiar; agapáo= amor de decisão e entrega). O mandamento não exige sentimento, exige adesão da vontade, decisão de fazer o bem. O amor bíblico não é primordialmente emoção, é fidelidade à vontade de Deus que nos criou para vivermos a fraternidade, cujo fundamento é o amor entrega.

“Com todo o teu coração” não significa com forte emoção, pois no mundo semita coração (kardia) é a sede da inteligência, da vontade, das decisões. Portanto, é fazer de Deus o centro de todas as decisões. Sem essa convicção fundamentada num amor maior não se conseguirá viver as consequências de ser amado por Deus, isto é, amar também os que Ele ama.

“Com toda a tua alma“. A palavra “alma” é uma das possibilidades de traduzir psyché, mas também tem o significado de vida, existência”. Por isso, não diz respeito apenas a uma dimensão (espiritual), mas a todo o ser.

“Com toda a tua mente“. A palavra grega (diánoia: mente) pode ser também traduzida por entendimento, raciocínio, capacidade intelectual. Isto indica que o discípulo deve amar Deus, também, intelectualmente, pois não há oposição entre fé e razão.

“Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”. A expressão grega (krématai) significa literalmente estão suspensos (pendurados). A imagem é muito rica: toda a revelação do Antigo Testamento está “sustentada” por esses dois mandamentos. Se eles forem retirados, todo o restante perde sua base. Jesus não elimina a Lei, mas revela seu fundamento e sua finalidade.

A resposta de Jesus revela que o amor é o princípio interpretativo de toda a Lei, que a verdadeira obediência a Deus não pode ser separada da caridade para com o próximo, e que o culto sem amor se torna vazio, pois o amor ao próximo é a prova concreta do amor a Deus. Nesse sentido, Jesus ultrapassa uma compreensão meramente legalista da religião. A questão não é quantos mandamentos existem, mas qual é o coração de todos eles. Os fariseus não estavam errados ao estudar a Lei. O problema surge quando a observância dos preceitos se torna mais importante do que a sua finalidade.

Também hoje podemos cair na mesma tentação: conhecer a doutrina sem cultivar a caridade, defender uma verdade teórica sem viver concretamente a misericórdia, cumprir práticas religiosas sem conversão do coração, e confundir fidelidade com rigorismo. Jesus não elimina os mandamentos, mas recorda que eles existem para conduzir ao amor.

O elemento mais surpreendente da resposta de Jesus é afirmar que o segundo mandamento é “semelhante” ao primeiro. Na vida cotidiana, isso significa que o amor ao próximo não é opcional. A forma como tratamos as pessoas é o termômetro que indica a qualidade da nossa vida espiritual. Quando o amor desaparece, até a observância mais rigorosa perde o seu sentido espiritual. Como dirá São Paulo: “Ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou” (1Cor 13,2).

O discípulo autêntico não é aquele que apenas conhece os preceitos, mas aquele que orienta toda a sua vida pelo amor a Deus e ao próximo, pois é nesse duplo amor que toda a revelação encontra sua unidade e cumprimento.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana

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