Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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11/10/2024

6ª feira da 27ª Semana do Tempo Comum

Tempo Comum Verde

Primeira Leitura (Gl 3, 7-14)

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.

Irmãos, 7 ficai cientes que os que creem é que são verdadeiros filhos de Abraão. 8 E a Escritura, prevendo que Deus justificaria as nações pagãs pela fé, anunciou, muito antes, a Abraão: “Em ti serão abençoadas todas as nações”. 9 Portanto, os crentes são abençoados com o crente Abraão. 10 Aliás, todos os que põem sua confiança na prática da Lei estão ameaçados pela maldição, porque está escrito: “Maldito quem não cumprir perseverantemente tudo o que está escrito no livro da Lei”. 11 Pela Lei ninguém se justifica perante Deus; isso é evidente porque o justo vive da fé. 12 E a Lei não se funda na fé, mas no cumprimento: Aquele que cumpre a Lei, por ela viverá. 13 Cristo resgatou-nos da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós, pois está escrito: ‘Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro!’ 14 Assim a bênção de Abraão se estendeu aos pagãos em Cristo Jesus e pela fé recebemos a promessa do Espírito.

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Salmo (Sl 110)

— O Senhor se lembra sempre da Aliança!
— O Senhor se lembra sempre da Aliança!

— Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

— Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

— Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações

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Evangelho (Lc 11, 15-26)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas.

Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15 Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16 Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17 Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18 Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22 Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23 Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa. 24 Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: ‘Vou voltar para minha casa de onde saí’. 25 Quando ele chega, encontra a casa varrida e arrumada. 26 Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”.

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Oração do dia (Coleta)

Deus eterno e todo-poderoso, que no vosso imenso amor de Pai nos concedeis mais do que merecemos e pedimos, infundi em nós vossa misericórdia, para perdoar o que nos pesa na consciência e para nos dar mais do que a oração ousa pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Martinho de Lima
Santo do Dia

São Martinho de Lima

São Martinho de Lima nasceu em 9 de dezembro de 1579, na cidade de Lima, no Peru. Filho de um nobre espanhol, João Porres, e de uma mulher negra do Panamá, de origem africana chamada Ana Velásquez. Devido à sua pele escura, seu pai não o reconheceu como filho legítimo e ele foi registrado no livro de batismo como filho de pai desconhecido.

A vida simples de São Martinho

Desde cedo, São Martinho viveu em condições de pobreza. Criado por sua mãe, que o educou no temor de Deus, ele começou a trabalhar como aprendiz de barbeiro quando ainda era criança. Embora a profissão de barbeiro fosse desprezada pelos que almejavam a nobreza, naquela época essa profissão também envolvia tarefas de dentista e cirurgião.

São Martinho transformou sua profissão em um ato de caridade para com os pobres, principalmente depois de se tornar ajudante de um médico.

Ingresso no convento

Aos 15 anos de idade, São Martinho decidiu abandonar tudo e ingressou no convento dos dominicanos em Lima. No entanto, ele foi admitido apenas como terciário e recebeu as tarefas mais humildes da comunidade. Embora sua função fosse humilde, sua vida espiritual era profunda. Os superiores do convento perceberam seu valor e, em 2 de junho de 1603, ele foi admitido à profissão solene como membro efetivo da Ordem.

Solicitude pelos irmãos e feitos extraordinários

São Martinho demonstrava grande preocupação com os irmãos doentes, cuidando deles mesmo quando a porta da enfermaria estava trancada. Considerava-se escravo de todos e sua devoção crescia quando algum irmão que ele cuidava piorava.

Além disso, São Martinho era dotado de carismas extraordinários, como profecias, êxtases e bilocações. Embora nunca tenha deixado Lima, foi visto em locais distantes como África, China e Japão para confortar missionários em dificuldades. Sua humildade e santidade o tornaram uma referência para teólogos, bispos e autoridades civis. Até mesmo o vice-rei teve que esperar diante de sua cela porque São Martinho estava em êxtase.

Da humildade do convento a santidade

Durante uma epidemia de peste, São Martinho curou as pessoas que o procuraram e também os seus sessenta companheiros de convento. Ele dedicou a sua vida aos pobres, mendigando para ajudá-los. Com as esmolas que conseguia, fundou um hospital para crianças abandonadas e jejuava para alimentar os necessitados. São Martinho jejuava durante todo o ano, comendo apenas restos de pão, mas discretamente, de forma que ninguém percebesse. Suas ações eram acompanhadas pelas orações que fazia durante a noite, seguindo o exemplo de Jesus (Lucas 6,12).

Assim, mesmo sem realizar feitos extraordinários, São Martinho alcançou um alto grau de santidade através da prática constante de caridade.

Páscoa

São Martinho faleceu em 3 de novembro de 1639, aos 60 anos de idade, em Lima. Imediatamente após sua morte, ele foi honrado e venerado como santo. Foi beatificado pelo Papa Gregório XVI em 1837, canonizado por São João XXIII em 6 de maio de 1962, e proclamado patrono dos barbeiros pelo Papa São Paulo VI em 1966.

O exemplo de amor e serviço de São Martinho

O Convento de Nossa Senhora do Rosário, onde São Martinho viveu, abrigava cerca de 100 frades dominicanos no final do século XVI. Eles enfrentavam problemas financeiros e, em um determinado momento, o prior decidiu vender alguns objetos preciosos para pagar as dívidas. No entanto, São Martinho, um jovem mulato responsável pelas tarefas mais humildes, ofereceu-se para ser vendido como escravo em vez dos objetos. O prior, profundamente comovido, mandou que o jovem retornasse, reconhecendo o valor que ele tinha mesmo sendo considerado invisível pela comunidade.

O exemplo de São Martinho mostra que a cor da pele ou o status social não determinam o valor de uma pessoa. Ele se destacou não apenas por sua habilidade como barbeiro, mas também pela sua devoção e caridade. São Martinho era conhecido por sua capacidade de transmitir o Evangelho aos pobres e ajudar os necessitados. Sua vida exemplar deve ser lembrada como um exemplo de amor e serviço aos mais carentes.

Fonte: catolicoapp.com

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