Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

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Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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12/10/2024

Bem-Aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, Solenidade

Tempo Comum Branco

Primeira Leitura (Est 5, 1b-2; 7, 2b-3)

Leitura do Livro de Ester.

Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2 Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro. 7, 2 bEntão, o rei lhe disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. 3 Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!”

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Salmo (Sl 44)

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!
— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

— O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro.

— Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real”

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Segunda Leitura (Ap 12, 1. 5. 13a. 15-16a)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5 E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 13 aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. 15 A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16 aA terra, porém, veio em socorro da mulher.

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Evangelho (Jo 2, 1-11)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.

Naquele tempo, 1 houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8 Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9 O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

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Oração do dia (Coleta)

Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

32º Domingo Tempo Comum (Mt 25,1-13) – A chama que vence a noite

À medida que se aproxima a conclusão do Ano Litúrgico, a liturgia nos dirige uma pergunta decisiva: como estamos esperando o Senhor? Não se trata apenas de pensar no último dia da história ou no término de nossa vida, mas de discernir como acolhemos Cristo, que vem ao nosso encontro todos os dias. O tema da vigilância ganha realce nestes últimos domingos. Vigiar não é permanecer imóvel, tomado pelo medo, nem viver fazendo cálculos sobre o futuro, mas esperar com fidelidade ativa, como servos que mantêm as lâmpadas acesas e cumprem a missão recebida. Esperamos Aquele que já está conosco: o Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que prometeu permanecer com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). Sua presença nos sustenta enquanto aguardamos sua manifestação definitiva. Assim, a exortação de Jesus: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” não pretende provocar pavor, mas despertar responsabilidade. Como não conhecemos o dia nem a hora, não podemos adiar o amor, a conversão e o serviço.

A espera cristã, portanto, não diminui a liberdade, mas oferece-lhe direção. Não caminhamos como quem está perdido, mas guiados por Aquele que diz: “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua Palavra é lâmpada para os nossos pés (Sl 119,105). Isso não significa que o percurso seja isento de noites, provações ou cansaço. A esperança não elimina a escuridão; dá-nos luz suficiente para atravessá-la. O cristão não conhece todos os detalhes da estrada, mas conhece Aquele em quem colocou a sua confiança. E isso basta para continuar caminhando.

É nesse horizonte que devemos meditar a parábola das Dez Jovens. Todas foram convidadas, todas receberam lâmpadas, todas saíram ao encontro do noivo e, enquanto ele demorava, todas cochilaram. A diferença não está, portanto, entre pessoas perfeitas e pessoas fracas; todas experimentaram o cansaço. A diferença aparece na preparação para atravessar a demora. Cinco levaram óleo, cinco não cuidaram de alimentar a chama. A imagem nos recorda que a vida e a salvação são dons gratuitos de Deus, não conquistas humanas. Porém, a graça acolhida pede uma resposta pessoal de fé, perseverança e amor. Ninguém pode responder em nosso lugar embora todos são chamados a ajudar-se mutuamente no caminho.

O momento mais duro da parábola chega quando a porta se fecha e o noivo declara: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Não devemos separar essas palavras do conjunto da narrativa. As jovens imprevidentes abandonaram a espera para procurar, tarde demais, aquilo que deveriam ter preparado. Sua prontidão inicial não resistiu à demora. Na linguagem bíblica, conhecer é mais do que reconhecer um rosto; é relação, comunhão e pertença. Não basta ter começado o caminho, é preciso permanecer nele.

As lâmpadas e o óleo falam, antes de tudo, de uma preparação capaz de suportar a espera. A parábola não oferece uma explicação única para o óleo; por isso, a tradição cristã pôde reconhecê-lo como imagem da fé perseverante, da ação do Espírito, da Palavra acolhida e da caridade que mantém viva a esperança. Essas dimensões não competem entre si: a graça de Deus alimenta a fé, a fé acolhe a Palavra e a Palavra se torna concreta no amor. O essencial é que a chama não seja apenas entusiasmo de um momento. Jesus nos chama a uma fidelidade que atravesse a demora, o silêncio e o cansaço: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

Manter a lâmpada acesa é permitir que a fé se torne paciência dentro de casa, honestidade no trabalho, cuidado com quem sofre, reconciliação, serviço aos pobres e perseverança na oração.

A Sagrada Escritura associa a luz ao conhecimento de Deus e à prática de sua vontade: “Vossa Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105); e Jesus afirma: “Quem me segue não caminhará nas trevas” (Jo 8,12). À luz desses textos, as lâmpadas que se apagam podem evocar uma fé que deixou de ser alimentada. Isso também pode acontecer conosco. A chama enfraquece quando a oração é sempre adiada, quando ouvimos a Palavra sem praticá-la, quando o amor esfria ou quando nos acostumamos com a injustiça. A advertência não nos autoriza a julgar os outros; convida-nos a examinar o próprio coração. Somos chamados a viver como filhos da luz (Ef 5,8-10), praticando a Palavra que ouvimos (Tg 1,22; cf. Tg 2,14-18).

A boa notícia da parábola é que o cochilo não excluiu ninguém: “todas adormeceram”. O problema não foi o limite humano, mas a falta de uma preparação que sustentasse a espera. Eis a força pastoral da imagem: Deus não nos pede uma tensão desumana nem uma perfeição sem fraquezas; pede que cuidemos do óleo que mantém viva a chama. Podemos cansar, mas não abandonar o caminho; podemos cair, mas somos chamados a levantar; podemos atravessar a noite, mas não sem a luz recebida. Vigiar é viver cada dia em comunhão com o Senhor, alimentar a fé na Palavra e na oração e transformá-la em amor concreto (1Ts 5,4-8; 1Pd 4,7-10). Que cada um se pergunte: o que hoje está alimentando a minha lâmpada? E que, quando ressoar o anúncio: “O noivo está chegando: ide ao seu encontro!” Ele nos encontre não paralisados pelo medo, mas caminhando na esperança, com a chama acesa e o coração pronto para a festa da vida plena.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Martinho de Lima
Santo do Dia

São Martinho de Lima

São Martinho de Lima nasceu em 9 de dezembro de 1579, na cidade de Lima, no Peru. Filho de um nobre espanhol, João Porres, e de uma mulher negra do Panamá, de origem africana chamada Ana Velásquez. Devido à sua pele escura, seu pai não o reconheceu como filho legítimo e ele foi registrado no livro de batismo como filho de pai desconhecido.

A vida simples de São Martinho

Desde cedo, São Martinho viveu em condições de pobreza. Criado por sua mãe, que o educou no temor de Deus, ele começou a trabalhar como aprendiz de barbeiro quando ainda era criança. Embora a profissão de barbeiro fosse desprezada pelos que almejavam a nobreza, naquela época essa profissão também envolvia tarefas de dentista e cirurgião.

São Martinho transformou sua profissão em um ato de caridade para com os pobres, principalmente depois de se tornar ajudante de um médico.

Ingresso no convento

Aos 15 anos de idade, São Martinho decidiu abandonar tudo e ingressou no convento dos dominicanos em Lima. No entanto, ele foi admitido apenas como terciário e recebeu as tarefas mais humildes da comunidade. Embora sua função fosse humilde, sua vida espiritual era profunda. Os superiores do convento perceberam seu valor e, em 2 de junho de 1603, ele foi admitido à profissão solene como membro efetivo da Ordem.

Solicitude pelos irmãos e feitos extraordinários

São Martinho demonstrava grande preocupação com os irmãos doentes, cuidando deles mesmo quando a porta da enfermaria estava trancada. Considerava-se escravo de todos e sua devoção crescia quando algum irmão que ele cuidava piorava.

Além disso, São Martinho era dotado de carismas extraordinários, como profecias, êxtases e bilocações. Embora nunca tenha deixado Lima, foi visto em locais distantes como África, China e Japão para confortar missionários em dificuldades. Sua humildade e santidade o tornaram uma referência para teólogos, bispos e autoridades civis. Até mesmo o vice-rei teve que esperar diante de sua cela porque São Martinho estava em êxtase.

Da humildade do convento a santidade

Durante uma epidemia de peste, São Martinho curou as pessoas que o procuraram e também os seus sessenta companheiros de convento. Ele dedicou a sua vida aos pobres, mendigando para ajudá-los. Com as esmolas que conseguia, fundou um hospital para crianças abandonadas e jejuava para alimentar os necessitados. São Martinho jejuava durante todo o ano, comendo apenas restos de pão, mas discretamente, de forma que ninguém percebesse. Suas ações eram acompanhadas pelas orações que fazia durante a noite, seguindo o exemplo de Jesus (Lucas 6,12).

Assim, mesmo sem realizar feitos extraordinários, São Martinho alcançou um alto grau de santidade através da prática constante de caridade.

Páscoa

São Martinho faleceu em 3 de novembro de 1639, aos 60 anos de idade, em Lima. Imediatamente após sua morte, ele foi honrado e venerado como santo. Foi beatificado pelo Papa Gregório XVI em 1837, canonizado por São João XXIII em 6 de maio de 1962, e proclamado patrono dos barbeiros pelo Papa São Paulo VI em 1966.

O exemplo de amor e serviço de São Martinho

O Convento de Nossa Senhora do Rosário, onde São Martinho viveu, abrigava cerca de 100 frades dominicanos no final do século XVI. Eles enfrentavam problemas financeiros e, em um determinado momento, o prior decidiu vender alguns objetos preciosos para pagar as dívidas. No entanto, São Martinho, um jovem mulato responsável pelas tarefas mais humildes, ofereceu-se para ser vendido como escravo em vez dos objetos. O prior, profundamente comovido, mandou que o jovem retornasse, reconhecendo o valor que ele tinha mesmo sendo considerado invisível pela comunidade.

O exemplo de São Martinho mostra que a cor da pele ou o status social não determinam o valor de uma pessoa. Ele se destacou não apenas por sua habilidade como barbeiro, mas também pela sua devoção e caridade. São Martinho era conhecido por sua capacidade de transmitir o Evangelho aos pobres e ajudar os necessitados. Sua vida exemplar deve ser lembrada como um exemplo de amor e serviço aos mais carentes.

Fonte: catolicoapp.com

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