Diocese de Limoeiro do Norte
Palavra do Bispo Diocesano

Uma Igreja em saída no Vale do Jaguaribe

Somos comunidade de fé, oração e caridade. Acompanhe a liturgia de cada dia, a agenda diocesana e a vida das nossas paróquias e pastorais.

Dom André Vital, SCJ
Dom André Vital, SCJBispo Diocesano de Limoeiro do Norte

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18/10/2024

São Lucas, Evangelista, Festa

Tempo Comum Vermelho

Primeira Leitura (2Tm 4, 10-17b)

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo, 10 Demas me abandonou por amor deste mundo, e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, Tito para a Dalmácia. 11 Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é útil para o ministério. 12 Mandei Tíquico a Éfeso. 13 Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. 14 Alexandre, o ferreiro, tem-me causado muito dano; o Senhor lhe pagará segundo as suas obras! 15 Evita-o também tu, pois ele fez forte oposição às nossas palavras. 16 Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. 17 Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações.

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Salmo (Sl 144)

— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

— Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

— É justo o Senhor em seus caminhos, é Santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente

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Evangelho (Lc 10, 1-9)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas.

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita.3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘o Reino de Deus está próximo de vós’”.

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Oração do dia (Coleta)

Senhor nosso Deus, escolhestes São Lucas para revelar pela pregação e pelos escritos o mistério do vosso amor para com os pobres; concedei aos que já se gloriam do vosso nome perseverar num só coração e numa só alma, e que todos os povos mereçam ver a vossa salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Homilia do Bispo

Comemoração dos Fiéis Defuntos: “Amados na vida, não esquecidos depois da morte!” (Lc 12,35-40)

A comemoração de todos os fiéis defuntos não visa simplesmente recordar a morte dos nossos entes queridos, mas renovar a nossa fé na ressurreição e demonstrar que não caíram no esquecimento aqueles que amamos na vida, como diz S. Ambrósio de Milão (340-397): “Nós os amamos durante a vida, não esqueçamos deles após a morte”.

Nesse dia, a Igreja volta seu olhar para todos os que já partiram desta vida e os confia à infinita misericórdia de Deus; mais do que favorecer uma lembrança que entristece, é ocasião de praticar a caridade para com esses irmãos e irmãs, através do sufrágio, da súplica pela sua purificação a fim de que entrem plenamente na comunhão com Deus.

Três verdades de fé justificam essa prática de caridade: a ressurreição dos mortos, a comunhão dos santos, e a eficácia da oração pelos falecidos.

A Igreja acredita que o vínculo da caridade não é rompido pela morte. Por isso, os fiéis que vivem neste mundo podem interceder pelos que já partiram.

Tendo um caráter, ao mesmo tempo penitencial e esperançoso, pois reconhece a realidade da morte e da fragilidade humana, ela é profundamente iluminada pela Páscoa de Cristo. Por isso, os vários textos bíblicos, as orações e os prefácios insistem na vitória da vida sobre a morte. Ao rezar pelos falecidos, a Igreja professa sua fé em Cristo Ressuscitado, reafirma a comunhão entre vivos e mortos e anuncia que a meta da existência humana é a vida eterna na casa do Pai.

O texto do evangelho faz parte do discurso de Jesus sobre o discipulado, a vigilância e a esperança escatológica. O cap.12 reúne ensinamentos de Jesus sobre os bens materiais, a confiança na providência e a preparação para o Reino. Logo antes desta passagem, Jesus exorta os discípulos a acumularem tesouros no céu (Lc 12,32-34). Em seguida, apresenta a necessidade da vigilância constante.

O texto divide-se em três partes: exortação à vigilância (vv. 35-36), a Bem-aventurança dos servos vigilantes (vv. 37-38), e a parábola do ladrão e da chegada inesperada do Filho do Homem (vv. 39-40).

“Estejam com os rins cingidos e as lâmpadas acesas”. A expressão “cingir os rins” remete ao costume oriental de prender a túnica para caminhar ou trabalhar com liberdade. A imagem recorda também a Páscoa judaica: “Comereis assim: os rins cingidos…” (Ex 12,11). Lucas utiliza esse simbolismo para indicar prontidão espiritual. O discípulo vive em atitude de peregrino, pronto para partir ao encontro de Deus. As “lâmpadas acesas” evocam a fé vigilante, semelhante às virgens prudentes (Mt 25,1-13); a luz simboliza a perseverança na fé e nas boas obras.

“O Senhor que volta das núpcias”. Na tradição bíblica, as núpcias são símbolo da comunhão definitiva entre Deus e seu povo.O retorno inesperado aponta para a vinda final de Cristo (Parusia); e, numa leitura aplicada à vida pessoal, o momento da morte.

Por isso a tradição espiritual viu nesse texto um convite à preparação para o encontro definitivo com Deus.

A surpreendente inversão dos papéis: “Ele se cingirá, os fará sentar-se à mesa e passará para servi-los”. Este é o centro teológico da passagem, pois trata-se de uma das imagens mais belas do Evangelho de Lucas. Normalmente são os servos que servem o senhor. Aqui acontece o contrário: o próprio Cristo assume a posição de servidor. A imagem recorda: Jesus lavando os pés dos discípulos na última ceia (Jo 13), e o banquete escatológico do Reino. O Ressuscitado acolhe seus servos fiéis e os introduz na comunhão eterna.

“à meia noite ou às três da madrugada” (segunda e a terceira vigília). A referência às vigílias da noite expressa um tempo prolongado de espera. O discípulo não sabe quando Cristo voltará, nem quando chegará sua própria morte. A perseverança é exigida até o fim.

“O Filho do Homem vem numa hora inesperada”. A conclusão é clara: “Também vós ficai preparados!” O acento não está no medo, mas na fidelidade contínua. A imprevisibilidade do momento final impede a acomodação espiritual e convida à conversão permanente.

Como sabiamente afirmava o Papa Bento XVI, na sua última fase de vida: “Não estou me preparando para um fim, mas para o encontro com uma pessoa”, a perspectiva cristã nos apresenta a morte não simplesmente como um acontecimento biológico, mas como passagem (Páscoa), encontro com Cristo, ingresso na plenitude da vida.

Por isso a vigilância não nasce da angústia, mas da esperança. Os servos não esperam o vazio, mas um Senhor que volta para acolhê-los.

Na comemoração dos Fiéis Defuntos, essa verdade ilumina a oração pelos falecidos: eles foram chamados ao encontro com Cristo; a Igreja intercede para que participem plenamente do banquete eterno. O Senhor que vem é aquele que serve. A esperança cristã repousa não apenas em nossa fidelidade, mas sobretudo no amor de Cristo que acolhe os seus.

Os nossos falecidos não caminharam para o nada. Caminharam para Aquele que os amou primeiro. O Cristo que hoje esperamos é o mesmo Cristo que foi ao encontro deles. Por isso rezamos por eles com esperança e vivemos nossa própria caminhada com as lâmpadas acesas da fé, certos de que um dia o Senhor nos fará sentar à sua mesa no banquete eterno.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Dom André Vital Félix da Silva, SCJBispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CEMestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana
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Santo do Dia

São Martinho de Lima
Santo do Dia

São Martinho de Lima

São Martinho de Lima nasceu em 9 de dezembro de 1579, na cidade de Lima, no Peru. Filho de um nobre espanhol, João Porres, e de uma mulher negra do Panamá, de origem africana chamada Ana Velásquez. Devido à sua pele escura, seu pai não o reconheceu como filho legítimo e ele foi registrado no livro de batismo como filho de pai desconhecido.

A vida simples de São Martinho

Desde cedo, São Martinho viveu em condições de pobreza. Criado por sua mãe, que o educou no temor de Deus, ele começou a trabalhar como aprendiz de barbeiro quando ainda era criança. Embora a profissão de barbeiro fosse desprezada pelos que almejavam a nobreza, naquela época essa profissão também envolvia tarefas de dentista e cirurgião.

São Martinho transformou sua profissão em um ato de caridade para com os pobres, principalmente depois de se tornar ajudante de um médico.

Ingresso no convento

Aos 15 anos de idade, São Martinho decidiu abandonar tudo e ingressou no convento dos dominicanos em Lima. No entanto, ele foi admitido apenas como terciário e recebeu as tarefas mais humildes da comunidade. Embora sua função fosse humilde, sua vida espiritual era profunda. Os superiores do convento perceberam seu valor e, em 2 de junho de 1603, ele foi admitido à profissão solene como membro efetivo da Ordem.

Solicitude pelos irmãos e feitos extraordinários

São Martinho demonstrava grande preocupação com os irmãos doentes, cuidando deles mesmo quando a porta da enfermaria estava trancada. Considerava-se escravo de todos e sua devoção crescia quando algum irmão que ele cuidava piorava.

Além disso, São Martinho era dotado de carismas extraordinários, como profecias, êxtases e bilocações. Embora nunca tenha deixado Lima, foi visto em locais distantes como África, China e Japão para confortar missionários em dificuldades. Sua humildade e santidade o tornaram uma referência para teólogos, bispos e autoridades civis. Até mesmo o vice-rei teve que esperar diante de sua cela porque São Martinho estava em êxtase.

Da humildade do convento a santidade

Durante uma epidemia de peste, São Martinho curou as pessoas que o procuraram e também os seus sessenta companheiros de convento. Ele dedicou a sua vida aos pobres, mendigando para ajudá-los. Com as esmolas que conseguia, fundou um hospital para crianças abandonadas e jejuava para alimentar os necessitados. São Martinho jejuava durante todo o ano, comendo apenas restos de pão, mas discretamente, de forma que ninguém percebesse. Suas ações eram acompanhadas pelas orações que fazia durante a noite, seguindo o exemplo de Jesus (Lucas 6,12).

Assim, mesmo sem realizar feitos extraordinários, São Martinho alcançou um alto grau de santidade através da prática constante de caridade.

Páscoa

São Martinho faleceu em 3 de novembro de 1639, aos 60 anos de idade, em Lima. Imediatamente após sua morte, ele foi honrado e venerado como santo. Foi beatificado pelo Papa Gregório XVI em 1837, canonizado por São João XXIII em 6 de maio de 1962, e proclamado patrono dos barbeiros pelo Papa São Paulo VI em 1966.

O exemplo de amor e serviço de São Martinho

O Convento de Nossa Senhora do Rosário, onde São Martinho viveu, abrigava cerca de 100 frades dominicanos no final do século XVI. Eles enfrentavam problemas financeiros e, em um determinado momento, o prior decidiu vender alguns objetos preciosos para pagar as dívidas. No entanto, São Martinho, um jovem mulato responsável pelas tarefas mais humildes, ofereceu-se para ser vendido como escravo em vez dos objetos. O prior, profundamente comovido, mandou que o jovem retornasse, reconhecendo o valor que ele tinha mesmo sendo considerado invisível pela comunidade.

O exemplo de São Martinho mostra que a cor da pele ou o status social não determinam o valor de uma pessoa. Ele se destacou não apenas por sua habilidade como barbeiro, mas também pela sua devoção e caridade. São Martinho era conhecido por sua capacidade de transmitir o Evangelho aos pobres e ajudar os necessitados. Sua vida exemplar deve ser lembrada como um exemplo de amor e serviço aos mais carentes.

Fonte: catolicoapp.com

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